20/Feb/2026
Segundo o Bradesco, a ampliação gradual da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel deve reduzir a dependência brasileira de diesel importado de 28,8% do consumo nacional em 2025 para 17% em 2030. A safra recorde de soja garante matéria-prima suficiente para sustentar o avanço previsto na Lei do Combustível do Futuro, aprovada em 2024. O óleo de soja responde por aproximadamente 73% da matéria-prima utilizada na produção de biodiesel no Brasil. Para atender à demanda atual do setor, cerca de 43 milhões de toneladas de soja destinadas ao esmagamento são suficientes, volume já plenamente suportado pelo excedente produtivo do País, sem necessidade de reduzir as exportações.
Com a mistura obrigatória chegando a 20% em 2030, essa demanda pode alcançar 58,9 milhões de toneladas. O parque industrial conta com 58 usinas em operação e capacidade instalada de 43,3 mil metros cúbicos por dia, equivalente a 14,4 milhões de metros cúbicos por ano, volume mais do que suficiente para atender o cronograma da Lei do Combustível do Futuro. Outros 23 empreendimentos foram autorizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e devem entrar em operação até 2028, elevando a capacidade produtiva anual em 6,5 milhões de metros cúbicos. No curto prazo, a dinâmica de 2026 depende da data de entrada do B16.
O cronograma da lei prevê a mistura de 16% a partir de março, mas o setor ainda aguarda os resultados dos testes de viabilidade técnica. O mercado já estima um cenário semelhante ao de 2025, quando a nova mistura teve início no segundo semestre. No ano passado, a falta de estudos técnicos e a escassez de óleo de soja adiaram a elevação da mistura de 14% para 15%, que só ocorreu em agosto, levando o consumo de biodiesel a totalizar 10,03 milhões de metros cúbicos. Se o B16 começar em março, o consumo de biodiesel pode atingir 11,3 milhões de metros cúbicos em 2026, alta de 12,9% sobre 2025. Com postergação para agosto, a demanda ficaria em 11,02 milhões de metros cúbicos, avanço de 9,9%.
Nos dois cenários, as importações de diesel A recuariam entre 21% e 23%, reduzindo a participação do diesel estrangeiro para cerca de 22% do consumo nacional. No horizonte de 2030, o Bradesco projeta demanda de diesel B próxima de 75,8 milhões de metros cúbicos, alta de 9,1% sobre 2025, com as importações de diesel A caindo 39,4% em relação ao recorde de 2025. A principal incerteza ao cenário reside no risco climático associado à disponibilidade de matéria-prima, já que em momentos de quebra relevante de safra, a política de biocombustível pode ser alterada. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.