20/Feb/2026
A safra recorde de soja deve elevar o consumo de biodiesel e de diesel B no Brasil em 2026, mas não será suficiente para reduzir a dependência externa de diesel fóssil. Projeção da StoneX indica que, no cenário de manutenção da mistura obrigatória em 15% ao longo do ano, as importações de diesel A podem atingir 17,8 milhões de metros cúbicos, o maior volume da série histórica, equivalente a 29,3% do consumo nacional. A consultoria elevou sua estimativa de consumo de diesel B para 70,8 milhões de metros cúbicos em 2026, alta de 1,9% sobre 2025 e acima dos 70,4 milhões de metros cúbicos projetados anteriormente. A elevação das estimativas de safra, especialmente de soja, sustenta um maior fluxo de transporte de grãos no País e, consequentemente, um consumo mais elevado de diesel B em 2026. O maior avanço regional deve ocorrer no Sul, com a recuperação das safras de soja e milho, e no Sudeste, impulsionado por exportações aquecidas dos setores agrícola, industrial e extrativista.
A Região Centro-Oeste deve registrar crescimento mais moderado, diante da expectativa de menor produção de soja em alguns Estados. Para o biodiesel, o impacto da oleaginosa é direto. O óleo de soja respondeu por 73,4% da matéria-prima do biocombustível em 2025, com consumo superior a 6,8 milhões de toneladas, alta de 9,3% sobre o ano anterior. O crescimento da demanda por diesel B e a elevação da mistura para 15% a partir de agosto foram determinantes para o avanço do consumo. O consumo de biodiesel está projetado entre 10,4 milhões e 10,7 milhões de metros cúbicos em 2026. Com manutenção do B15, o volume alcançaria 10,4 milhões de metros cúbicos, alta de 7,1% e novo recorde da série. Caso o B16 seja adotado a partir de julho, o consumo superaria 10,7 milhões de metros cúbicos, avanço de 10,8%, elevando a demanda por óleo de soja para até 8,6 milhões de toneladas.
A decisão sobre a elevação da mistura cabe ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A consultoria trabalha com diferentes cenários porque ainda há incertezas sobre o cronograma de elevação da mistura. Uma eventual elevação da mistura amplia de forma significativa a necessidade de óleo de soja no mercado doméstico, reforçando o papel do biodiesel como vetor estrutural de demanda. Mesmo com o avanço do biocombustível, a depender da evolução do mandato de biodiesel ao longo do ano, será possível observar diferenças relevantes na demanda por diesel A e no volume a ser importado. No cenário com B16 no segundo semestre, as importações ficariam próximas de 17,4 milhões de metros cúbicos, ainda assim um volume expressivo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.