19/Feb/2026
Segundo a StoneX, a soja negociada na Bolsa de Chicago operava sob pressão nesta quarta-feira (18/02), sem compras chinesas confirmadas na última semana e com as exportações norte-americanas ainda 6% abaixo do ritmo necessário para atingir a meta anual do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O avanço da colheita brasileira reforça o viés cauteloso. Os operadores têm voltado o olhar para o mercado doméstico norte-americano, em parte na expectativa de um anúncio favorável da agência ambiental dos Estados Unidos (EPA) sobre biocombustíveis, previsto para o fim de fevereiro ou início de março. Com a possibilidade desse anúncio e o esmagamento nos Estados Unidos ainda muito forte, especuladores estão revertendo posições vendidas para compradas.
Os dados de esmagamento reforçam esse quadro. As estimativas preliminares apontam para cerca de 5,95 milhões de toneladas processadas em janeiro, contra 5,46 milhões de toneladas no mesmo mês do ano passado, queda em relação às 6,13 milhões de toneladas de dezembro, mas ainda em patamar considerado elevado. No Brasil, mais de 20% da safra de soja foi colhida. Os embarques brasileiros já comprometem volumes expressivos para o mercado externo, ampliando a concorrência à soja americana e reduzindo o incentivo para que a China volte aos Estados Unidos no curto prazo. Na Argentina, as bolsas de cereais de Rosário e de Buenos Aires elevaram suas estimativas de produção de soja para entre 48 milhões de toneladas e 48,5 milhões de toneladas, acima das projeções anteriores.
No cenário geopolítico, três fatores têm potencial de influência nos grãos e oleaginosas. O primeiro é o alívio em relação às tarifas sobre o Canadá: a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos votou contra a proposta do presidente norte-americano, Donald Trump, de impor tarifas ao país, o que reduz o risco de encarecimento do potássio, fertilizante importado majoritariamente do Canadá pelos agricultores norte-americanos. O projeto ainda precisa passar pelo Senado. O segundo é o Irã: Donald Trump sinalizou que uma mudança de regime no país pode ser necessária, e o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz para exercícios militares, elevando a incerteza nos mercados de energia com potencial de transbordamento para as oleaginosas. O terceiro é o calendário de festividades, com o Ano Novo Lunar Chinês e o início do Ramadã reduzindo o volume de negócios esperado para os próximos dias. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.