19/Feb/2026
Segundo a consultoria Demetrica, a decisão dos produtores norte-americanos de expandirem a área de soja na safra 2026/2027 depende menos de uma lógica simples de preços e mais do alinhamento entre demanda, capacidade de esmagamento doméstico e concorrência crescente do Brasil. A análise foi divulgada nesta quarta-feira (18/02), às vésperas do Fórum de Perspectivas Agrícolas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A projeção para o plantio é de cerca de 34,2 milhões de hectares de soja nos Estados Unidos em 2026/2027, com área colhida de 33,8 milhões de hectares. O número representaria recuperação parcial em relação à safra atual, 2025/2026, em que o plantio recuou para 32,8 milhões de hectares e a colheita ficou em 32,5 milhões de hectares. A estimativa está alinhada às projeções de longo prazo do próprio USDA. O problema está nos fundamentos. A China continua reduzindo estruturalmente suas compras de soja norte-americana, e a indústria de esmagamento dos Estados Unidos não expande com velocidade suficiente para absorver o excedente.
Embora o consumo interno de óleo de soja continue firme, impulsionado por alimentos e biocombustíveis, e as exportações de farelo apresentem bom desempenho, investimentos em esmagamento são intensivos em capital e de longa maturação, o que impede respostas rápidas a perdas no mercado externo. A capacidade não parece pronta para crescer num ritmo que absorva confortavelmente uma perda relevante de demanda de exportação para a China. O comportamento da China segue como tema central. Caso o país asiático cumpra seus compromissos e a estatal Cofco volte ao mercado, as compras poderiam atingir volumes próximos de 25 milhões de toneladas em 2026/2027 e as cotações receberiam suporte. Mas, há um efeito colateral recorrente: compras politicamente motivadas tendem a elevar os preços norte-americanos e deslocar outros importadores globais em direção ao Brasil, onde a safra atual é estimada entre 182 e 184 milhões de toneladas, com potencial de chegar a 186 milhões de toneladas no próximo ciclo.
No milho, a consultoria chama atenção para as revisões expressivas nas estimativas de área norte-americana ao longo da safra 2025/2026, em que o plantio foi revisado repetidamente pelo USDA ao longo do ano. Há dúvidas sobre a confiabilidade dos dados oficiais diante do enxugamento de pessoal nas agências estatísticas. O Fórum de Perspectivas do USDA, que ocorre a partir desta quinta-feira (19/02), divulgará as primeiras projeções oficiais de área e balanço para 2026/2027. A narrativa inicial importa, mas pode mudar rapidamente se as premissas que a sustentam forem frágeis. A questão real para 2026/2027 pode não ser se a área de soja vai crescer, mas se demanda, capacidade de esmagamento e concorrência global estarão suficientemente alinhadas para justificar isso. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.