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18/Feb/2026

Preços da soja são sustentado pela alta dos prêmios no Brasil

A demanda por soja para entrega imediata intensificou as negociações no mercado spot, sustentando as cotações internas e elevando os prêmios de exportação, especialmente para embarques de curto prazo. A oferta permanece contida, com produtores adotando postura cautelosa diante das irregularidades climáticas em parte do Brasil. A valorização do Real frente ao dólar e a perspectiva de aumento na relação estoque/consumo limitaram movimentos mais expressivos de alta.

Entre 5 e 12 de fevereiro, os Indicadores CEPEA/ESALQ Paraná e Paranaguá avançaram 0,4% e 0,5%, respectivamente, encerrando a R$ 120,38 por saca de 60 kg e R$ 126,20 por saca de 60 kg. Na média das regiões acompanhadas, os preços subiram 0,3% no mercado de balcão e recuaram 0,1% no mercado de lotes.

No câmbio, o dólar encerrou a R$ 5,202, com queda de 1% frente ao período anterior, após ter atingido R$ 5,186, menor patamar desde 28 de maio de 2024. Na Bolsa de Chicago, o contrato março/26 da soja subiu 2,2%, para US$ 11,3725 por bushel (US$ 25,07 por saca).

No campo, o déficit hídrico em áreas do Sul e do Nordeste mantém produtores mais resistentes à comercialização, enquanto o excesso de chuvas no Sudeste interrompeu a colheita e reduziu a disponibilidade imediata. Apesar das adversidades climáticas, a produção brasileira é estimada em patamar recorde, entre 177,98 milhões e 180 milhões de toneladas.

As exportações brasileiras estão projetadas em 112,2 milhões de toneladas em 2026, alta de 3,7% sobre a temporada anterior, enquanto o esmagamento deve atingir 60,87 milhões de toneladas, avanço de 5,6%. O estoque de passagem pode alcançar 11,86 milhões de toneladas, elevando a relação estoque/consumo para 19,5%, acima dos 17,7% da safra anterior.

No cenário global, a produção mundial é estimada em 428,18 milhões de toneladas em 2025/26, 0,6% acima do relatório anterior. Desse total, 42% devem ser provenientes do Brasil, 27,1% dos Estados Unidos, com 115,98 milhões de toneladas, e 11,3% da Argentina, com 48,5 milhões de toneladas. O consumo mundial pode atingir 424,74 milhões de toneladas, enquanto o comércio global é estimado em 185,98 milhões. A China deve importar 112 milhões de toneladas, equivalente a 60,22% do total global, seguida pela União Europeia, com 14 milhões (7,53%), e Argentina, com 7,5 milhões (4,03%). Brasil e Estados Unidos devem concentrar mais de 80% das exportações globais.

Entre os derivados, os preços externos avançaram no período, impulsionados pela valorização do petróleo e pelo acordo comercial entre Estados Unidos e Índia. O contrato março/26 do óleo de soja em Chicago subiu 3,4%, para US$ 0,5754 por libra-peso (US$ 1.268,53 por tonelada), maior patamar nominal desde 29 de julho de 2025. O farelo avançou 1,6%, para US$ 307,90 por tonelada curta (US$ 339,40 por tonelada).

A produção norte-americana de óleo de soja é estimada em 13,58 milhões de toneladas, com 13,2 milhões destinadas ao consumo doméstico, sendo 50,86% para uso industrial e 49,14% alimentício. A produção de farelo deve atingir 55,11 milhões de toneladas, com 69,2% voltados ao mercado interno e 31,9% às exportações. Para o Brasil, a produção de óleo é projetada em 12,44 milhões de toneladas, com 88% destinados ao consumo interno, e a de farelo em 47,09 milhões de toneladas, dos quais 54,1% devem ser exportados.

No mercado doméstico, indústrias de alimentos e de biodiesel operam com estoques confortáveis e tendem a intensificar as compras com o avanço da colheita. O óleo com 12% de ICMS em São Paulo recuou 0,7% no período, para R$ 6.471,40 por tonelada. O farelo manteve demanda ativa, com alta média de 0,8% nas praças acompanhadas.

Na Argentina, a produção de farelo é estimada em 31,98 milhões de toneladas, com 90,7% destinadas às exportações. Para o óleo, a projeção é de 8,18 milhões de toneladas, com aproximadamente três quartos direcionados ao mercado externo.

Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.