ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

18/Feb/2026

Risco político poderá redirecionar compras chinesas aos EUA

A demanda chinesa por soja pode voltar a ser determinada mais por cálculo político do que por fundamentos de mercado nas próximas semanas, criando risco de redirecionamento de compras para os Estados Unidos em um momento de ampla oferta na América do Sul.

A avaliação foi apresentada em transmissão promovida pela University of Illinois, que reuniu analistas internacionais para discutir os desdobramentos geopolíticos e seus impactos sobre o comércio agrícola.

Segundo a análise, o presidente da China, Xi Jinping, teria saído politicamente mais pressionado do quarto plenário do Comitê Central do Partido Comunista, realizado em outubro. O encontro, que reúne cerca de 220 dirigentes, revisa diretrizes estratégicas e rearranja lideranças. Na sequência, houve ampla reestruturação na cúpula militar, alcançando cinco dos seis generais da Comissão Militar Central.

Nesse contexto, decisões comerciais ganham peso estratégico. A compra de commodities agrícolas dos Estados Unidos poderia ser utilizada como instrumento diplomático, inclusive em negociações envolvendo acesso ao mercado consumidor norte-americano e a semicondutores essenciais para o avanço tecnológico chinês.

Do lado norte-americano, também há incentivos políticos para um acordo comercial, especialmente em meio ao calendário eleitoral. Assim, compras adicionais de soja poderiam funcionar como sinalização de cooperação de curto prazo.

Apesar do componente geopolítico, os fundamentos seguem favoráveis ao Brasil. A ampla disponibilidade e os preços competitivos mantêm a América do Sul como principal origem das compras chinesas neste momento.

O risco central reside na repetição de episódios anteriores em que compromissos políticos de aquisição não se converteram integralmente em fluxo comercial efetivo. Em 2018, parte relevante dos volumes anunciados não se concretizou.

A próxima semana concentra eventos importantes para o mercado, incluindo o Fórum Agrícola do United States Department of Agriculture, que deve apresentar as primeiras estimativas de área e produção para a safra 2026, além do início do Ano Novo Lunar na China — período historicamente marcado por desaceleração temporária das compras externas de grãos.

O mercado entra agora em uma janela decisiva que se estende até o início de abril. Um eventual acordo comercial entre China e Estados Unidos nesse intervalo poderia sustentar as cotações. Na ausência de entendimento, cresce o risco de pressão adicional sobre os preços, em um cenário já impactado pela elevada oferta global.

Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.