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16/Feb/2026

Avaliação Técnica da Rentabilidade da Soja na Safra 2025/2026

A análise de desempenho econômico da cultura da soja no ciclo agrícola 2025/26 indica uma pressão significativa sobre a rentabilidade do produtor, resultando em margens líquidas historicamente reduzidas. Segundo avaliação de Carlos Cogo, especialista e sócio-diretor da Cogo Inteligência de Mercado, a margem líquida operacional projetada para o produtor brasileiro de soja situa-se entre 2% e 3%, representando o nível mais baixo verificado desde pelo menos 2010.

Posição de Referência e Comparação Interanual

Na safra anterior (2024/25), a margem líquida, sem considerar custos de arrendamento, foi estimada em aproximadamente 4%, já em um patamar de baixa. A nova projeção reflete uma deterioração adicional das condições econômicas do setor.

Fatores Estruturantes da Compressão de Margens

A redução da rentabilidade está associada a uma combinação de pressões de oferta, condições de mercado internacional e variáveis cambiais:

Supersafra e pressão de oferta

A expectativa de uma produção total brasileira de soja superior a 180 milhões de toneladas aumentou a oferta no mercado, contribuindo para manter os preços em níveis deprimidos em função do desequilíbrio entre oferta e demanda.

Erosão dos prêmios de exportação

Os prêmios pagos nos portos brasileiros, que refletem o diferencial de preço da soja embarcada em relação aos contratos futuros, reduziram-se drasticamente, de cerca de US$ 0,62 para aproximadamente US$ 0,10 por bushel no espaço de um ano. Essa redução diminuiu a receita efetiva obtida pelo produtor na comercialização externa.

Cenário cambial menos favorável

A queda do dólar frente ao real em comparação com o ciclo anterior atenuou o impacto positivo dos preços internacionais da soja quando convertidos para a moeda local, contribuindo para um cenário de preços internos estáveis ou em ligeira tendência lateral.

Dinâmica de comércio internacional

No ciclo anterior, o ambiente de guerra comercial entre Estados Unidos e China havia impulsionado prêmios nos portos brasileiros. Com a redução dessa situação extraordinária, os estímulos positivos aos preços desapareceram, afetando negativamente as perspectivas de lucro do produtor.

Expectativas de mercado e previsões futuras

As estimativas de safra nos Estados Unidos, sugerindo expansão da área de soja e redução da área de milho, configuram um viés baixista adicional para as cotações internacionais, o que pode prolongar a pressão sobre os preços recebidos pelos produtores.

Impactos Operacionais no Mercado Interno

O comportamento de comercialização da safra 2025/26 mostra um ritmo de vendas abaixo da média histórica, com apenas 34% da produção estimada comercializada até o início de fevereiro, ante uma média de 45% observada nos últimos cinco anos. Em Mato Grosso, o ritmo foi um pouco maior (49%), porém ainda inferior à média regional de 52%. Essa alteração indica um acúmulo de estoque nas propriedades e maior exposição ao risco de preço futuro.

Adicionalmente, os preços nominais pagos ao produtor — por exemplo, valores de R$ 104 por saca de soja, inferiores aos níveis observados anteriormente (R$ 110 a R$ 115) — contribuem para a redução da receita operacional no nível de fazenda.

Síntese dos Determinantes Econômicos

A combinação de oferta elevada, redução de prêmios de exportação, condições cambiais desfavoráveis e comportamento de preços internos estáveis a em ligeira queda resultou em uma compressão significativa das margens de lucro do produtor de soja no Brasil, com projeções de margem líquida entre 2% e 3% para a safra 2025/26. Pelo menos no curto prazo, não há sinais consistentes de reversão desse cenário, em parte devido às projeções de aumento da oferta global e à persistência de condições de mercado desfavoráveis.

Fonte: Carlos Cogo - Cogo Inteligência em Agronegócio.