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16/Feb/2026

Soja poderá testar os US$ 12 por bushel na Bolsa de Chicago

Os contratos futuros de soja negociados em Chicago se aproximam da máxima registrada em novembro e podem testar o patamar de US$ 12 por bushel, condicionados à confirmação de compras adicionais pela China e a ajustes nos estoques dos Estados Unidos. No curto prazo, a volatilidade permanece vinculada às negociações políticas entre Estados Unidos e China, com possibilidade de encontro bilateral no início de abril.

O debate atual concentra-se no momento e no volume de eventuais aquisições chinesas de soja norte-americana. Referências iniciais da imprensa chinesa indicaram a oleaginosa como tema do encontro entre os dois países, menção posteriormente retirada. O ambiente geopolítico, incluindo o posicionamento da China em relação a Taiwan, adiciona incerteza ao ritmo das negociações comerciais.

Do ponto de vista técnico, o contrato maio se aproxima da resistência em US$ 11,50 por bushel. Há espaço para avanço até US$ 11,75 e eventual teste de US$ 12 por bushel, sustentado por um possível aperto nos estoques. Movimentos acima desse nível dependeriam de compras chinesas consistentes e contínuas.

Os dados recentes de comércio exterior indicam demanda moderada pela soja dos Estados Unidos. As vendas semanais totalizaram aproximadamente 283 mil toneladas, abaixo do volume registrado para o milho, que alcançou cerca de 2,06 milhões de toneladas no período. No acumulado da safra, as vendas norte-americanas somam cerca de 34,6 milhões de toneladas, volume 8,4 milhões de toneladas inferior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior.

A China já adquiriu aproximadamente 10,2 milhões de toneladas em base conhecida. Estimativas indicam que outros 1,8 milhão de toneladas de destino não declarado devem ser direcionados ao país, elevando o total para cerca de 12 milhões de toneladas. Do volume já comprado, 5,1 milhões de toneladas foram embarcadas, com projeção de atingir 7,5 milhões até o fim de fevereiro. A esse fluxo somam-se carregamentos provenientes do Brasil, o que reduz a necessidade imediata de novas compras no curto prazo.

O movimento recente de alta foi rapidamente precificado, e o mercado opera em condição técnica de sobrecompra, semelhante ao observado no início de dezembro de 2025. O relatório de fevereiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicou ausência de alterações no balanço global de soja, fator considerado necessário para sustentar um ciclo altista estrutural. Nesse contexto, a estratégia predominante é aproveitar repiques para realizar hedge gradual da nova safra.

Nos mercados de milho e trigo, os fundamentos seguem pressionados pelo excedente global de oferta. Uma mudança estrutural no milho dependeria da adoção obrigatória do E15 nos Estados Unidos, medida que poderia adicionar entre 61 milhões e 66 milhões de toneladas à demanda anual. Contudo, o cenário regulatório e o equilíbrio político indicam redução das perspectivas de avanço dessa política, mesmo com apoio do governo norte-americano.

Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.