13/Feb/2026
As projeções climáticas mais recentes indicam o retorno do El Niño ao longo de 2026, com sinais iniciais a partir de maio e tendência de intensificação no segundo semestre. O aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial já aponta para um início acelerado do fenômeno, que pode alcançar intensidade moderada a forte, especialmente entre agosto e outubro, período que antecede o pico tradicional do evento, normalmente observado entre novembro e janeiro.
O principal vetor de preocupação é o aumento da frequência e da intensidade de eventos climáticos extremos. O aquecimento simultâneo do oceano e da atmosfera tende a favorecer tanto temporais severos quanto ondas de calor prolongadas, ampliando a volatilidade climática em diversas regiões do País. O histórico recente reforça esse risco, já que 2023 e 2024 estiveram entre os anos mais quentes já registrados globalmente, ambos sob influência do fenômeno.
Impactos regionais: contrastes mais acentuados
O El Niño altera de forma relevante a distribuição espacial das chuvas no Brasil. A tendência é de:
Maior volume e regularidade de precipitações no Sul, com risco ampliado de temporais, formação de Complexos Convectivos de Mesoescala e enchentes, sobretudo na primavera.
Irregularidade e possível déficit hídrico em áreas do extremo Norte, trechos da Amazônia e parte do Nordeste, elevando o risco de estiagens severas.
Oscilações no Centro-Oeste e Sudeste, com episódios de chuva pontual entre agosto e setembro, mas sem consolidação imediata da estação chuvosa.
Esse padrão amplia a assimetria hídrica entre regiões, com potenciais impactos sobre agricultura, reservatórios e geração hidrelétrica.
Ondas de calor e início irregular das chuvas
Apesar de possíveis incursões de ar frio em maio e junho, a tendência é de enfraquecimento dessas massas frias a partir de julho, à medida que o acoplamento oceano-atmosfera se consolida. Entre o fim do inverno e a primavera, projeta-se aumento na intensidade e duração das ondas de calor, especialmente no interior do País.
Além das temperaturas elevadas, há risco de redução dos índices de umidade relativa do ar e maior persistência de tempo seco, criando ambiente propício para estresse hídrico em culturas agrícolas e pressão adicional sobre sistemas de abastecimento.
O início da estação chuvosa em 2026 tende a ser irregular e mal distribuído, com pancadas isoladas sem reposição consistente da umidade do solo. Esse padrão é particularmente sensível para o planejamento do plantio de verão, exigindo maior cautela na definição de janelas operacionais.
Amazônia: cheia mais intensa e vazante posterior
Na Amazônia, projeta-se uma cheia mais expressiva em 2026, seguida de vazante potencialmente mais acentuada. O cenário exige monitoramento atento, sobretudo para setores dependentes da navegação fluvial e da logística regional.
Leitura estratégica para o agro
A possível consolidação de um El Niño moderado a forte em 2026 eleva o grau de incerteza climática justamente em um momento de expansão de área e busca por recordes produtivos em diversas culturas. O risco não se limita à quebra direta de safra, mas inclui:
Maior volatilidade de produtividade regional.
Pressão sobre custos operacionais (irrigação, defensivos, replantio).
Risco logístico em regiões com excesso de chuva.
Estresse hídrico em áreas já vulneráveis.
O ambiente reforça a importância de gestão de risco climático, diversificação regional, uso intensivo de monitoramento e maior disciplina na definição de janelas de plantio ao longo do ciclo 2026/27.