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13/Feb/2026

Compras chinesas de soja dos EUA frustram as expectativas

As compras chinesas de soja dos Estados Unidos confirmadas na última semana somaram 264 mil toneladas, volume considerado insuficiente para sustentar a expectativa de elevação das aquisições norte-americanas de 12 milhões para 20 milhões de toneladas no ciclo atual. O montante reforça a percepção de que ainda não há evidências concretas de avanço mais robusto da demanda chinesa pelo produto dos EUA.

O cenário se torna mais desafiador diante do ritmo acelerado das exportações brasileiras. A estimativa para fevereiro aponta embarques do Brasil em torno de 11,71 milhões de toneladas em um único mês, o que evidencia a forte competitividade da soja brasileira no mercado internacional.

O relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou levemente para cima os estoques globais de soja, de 124,41 milhões para 125,51 milhões de toneladas, contrariando a tese de aperto mais relevante na oferta. A produção brasileira foi atualizada para 180 milhões de toneladas, aproximando-se das estimativas privadas entre 181 milhões e 183 milhões de toneladas.

No campo, a colheita brasileira já alcança entre 16% e 17% da área, acima do ritmo observado no mesmo período do ano anterior. As vendas antecipadas da nova safra somam 33,9%, ainda abaixo dos 42,4% registrados na mesma época do ciclo passado, indicando comercialização mais lenta.

Nos Estados Unidos, as exportações seguem 5% abaixo do ritmo necessário para atingir a meta anual projetada pelo USDA. Um possível vetor positivo surge das negociações com a Índia, que avalia ampliar compras de óleo de soja norte-americano e reduzir a taxação do produto, o que pode oferecer suporte adicional à cadeia.

No mercado de intenção de plantio, a relação de preços entre soja e milho se aproxima de 2,5 nos contratos futuros, patamar que historicamente favorece a soja na disputa por área. A atual relação em torno de 2,4 sugere possibilidade de aumento da área de soja e eventual redução do milho na próxima safra norte-americana.

Um fator de risco adicional envolve o mercado de fertilizantes. Os Estados Unidos importam cerca de 80% do potássio do Canadá, e eventual imposição de tarifa de 100% poderia elevar significativamente os custos agrícolas. Embora parte dos estoques já esteja disponível para o plantio da primavera, há incertezas quanto à formação de preços futuros.

No trigo, o relatório do USDA trouxe poucas alterações. Os estoques americanos subiram de 926 milhões para 931 milhões de bushels, enquanto os estoques mundiais recuaram de 278,25 milhões para 277,5 milhões de toneladas. A Rússia informa que 97% de sua lavoura está em boas condições, acima dos 87% do ano anterior, enquanto a Ucrânia enfrenta dificuldades logísticas, com exportações acumuladas de 8,5 milhões de toneladas na safra atual, abaixo das 11,46 milhões de toneladas do mesmo período do ciclo passado.

O conjunto de fatores mantém o mercado atento à efetivação de novas compras chinesas e à evolução da safra sul-americana, que segue como principal vetor de pressão sobre os preços internacionais.

Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.