11/Feb/2026
A safra brasileira de soja 2025/26 segue com potencial para alcançar um novo recorde de produção, conforme as estimativas iniciais do ciclo, mas a recente deterioração das condições climáticas no Rio Grande do Sul já impõe perdas e exige atenção redobrada nas próximas semanas.
No início do levantamento da safra, a produção nacional foi estimada em 182,2 milhões de toneladas, crescimento de 5,9% em relação à safra 2024/25, o que representa um acréscimo de cerca de 10,2 milhões de toneladas. A projeção considerou 48,8 milhões de hectares plantados e produtividade média de 62,3 sacas por hectare, acima das 60 sacas por hectare registradas no ciclo anterior, em um cenário inicial de relativa normalidade climática.
As primeiras avaliações de campo indicaram desempenho levemente superior ao projetado no início do ciclo, com maior número de regiões apresentando bons resultados em relação às áreas com problemas. Esse quadro, no entanto, começou a se alterar com a piora das condições climáticas no Sul do País, especialmente no Rio Grande do Sul.
No Estado, 100% das lavouras ainda estão no campo, com início da colheita previsto apenas para março. O potencial de perda já se aproxima de 1 milhão de toneladas, podendo se intensificar caso o regime de chuvas não se normalize nas próximas semanas. Apesar disso, o cenário ainda é considerado menos severo do que o observado nas três safras anteriores, marcadas por quebras expressivas. As precipitações recentes ficaram abaixo do volume necessário para reverter o déficit hídrico acumulado.
Nas demais regiões produtoras, o quadro segue mais favorável. Em Mato Grosso, maior produtor nacional, as primeiras áreas colhidas indicam produtividade levemente inferior ao recorde do ciclo passado, mas ainda em patamar elevado. Regiões do médio-norte mantêm bom desempenho, enquanto o oeste do Estado também apresenta resultados consistentes, sustentando a possibilidade de repetição de um ciclo robusto.
No Matopiba, o desenvolvimento das lavouras é considerado positivo, ainda em fase inicial de colheita. Goiás e Minas Gerais, apesar do plantio mais tardio, apresentaram recuperação ao longo do ciclo, com impactos mais relevantes sobre o milho de 2ª safra do que sobre a soja. No Paraná, o oeste do Estado surpreende positivamente, com potencial produtivo superior ao da safra anterior, enquanto o sudoeste apresenta desempenho um pouco inferior.
Do ponto de vista fitossanitário, a pressão de pragas é menor em relação ao ano passado, embora tenha sido observada maior incidência de plantas daninhas no Paraná e em Mato Grosso do Sul, reflexo do excesso de chuvas e da dificuldade de entrada em campo no momento ideal. A ocorrência de ferrugem asiática aumentou no oeste do Paraná, mas o controle tem sido realizado de forma adequada, sem redução no pacote tecnológico.
Com pouco mais da metade do levantamento de campo concluído, a estimativa inicial segue como referência. Mesmo com perdas já consolidadas no Rio Grande do Sul, a avaliação é de que a produção brasileira pode se manter próxima de 180 milhões de toneladas, desde que as chuvas não falhem na fase final do ciclo.
Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.