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09/Feb/2026

Preços da soja estáveis com a forte queda dos prêmios

Os preços da soja mostram estabilidade no início de fevereiro no mercado brasileiro. De um lado, a valorização externa, a alta do dólar e a firme demanda internacional pela soja brasileira oferecem suporte às cotações. De outro, a expressiva retração dos prêmios de exportação tem limitado o repasse da alta internacional ao mercado doméstico, resultando em comportamento mais lateralizado dos preços internos.

Na Bolsa de Chicago (CME Group), o movimento de alta foi impulsionado pelo recente encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, no qual foi reafirmado o compromisso do país asiático de ampliar as compras de soja norte-americana nesta e na próxima temporada. Com isso, os contratos futuros da oleaginosa voltaram a operar acima de US$ 11,00 por bushel, patamar que não era observado desde a primeira semana de dezembro de 2025.

Entre 29 de janeiro e 5 de fevereiro, o contrato Março/26 da soja valorizou 3,7%, encerrando a US$ 11,1225 por bushel, equivalente a US$ 24,52 por saca de 60 kg. No mesmo período, o primeiro vencimento do óleo de soja atingiu o maior patamar desde julho de 2025, fechando a US$ 0,5565 por libra-peso, ou US$ 1.226,86 por tonelada, alta de 3% frente à semana anterior. O farelo de soja também apresentou valorização, com avanço de 2,4%, alcançando US$ 303,20 por tonelada curta, equivalente a US$ 334,22 por tonelada, o maior nível registrado em 2026.

Apesar da valorização externa, o mercado brasileiro foi impactado por uma correção relevante nos prêmios de exportação. Considerando o porto de Paranaguá (PR) e embarques para março/26, o prêmio foi ofertado pelo comprador a US$ 0,07 por bushel e pelo vendedor a US$ 0,15 por bushel. Na semana anterior, as indicações estavam significativamente mais elevadas, em US$ 0,30 e US$ 0,39 por bushel, respectivamente. Ainda assim, os patamares atuais seguem superiores aos observados há um ano, quando os prêmios eram negativos.

Nesse contexto, no mercado spot nacional, entre 29 de janeiro e 5 de fevereiro, os Indicadores CEPEA/ESALQ – Paraná e CEPEA/ESALQ – Paranaguá apresentaram apenas leves avanços de 0,2% e 0,3%, passando para R$ 119,85 por saca de 60 kg e R$ 125,61 por saca, respectivamente. Na média das regiões acompanhadas, os preços subiram 0,1% no mercado de balcão (valor ao produtor) e 0,3% no mercado de lotes (negociações entre empresas).

No mercado de derivados, a liquidez permaneceu baixa na última semana. Na média das regiões monitoradas, o preço do farelo de soja recuou 0,5% no comparativo entre as duas últimas semanas. Já o óleo de soja bruto e degomado, com 12% de ICMS, apresentou leve desvalorização de 0,1%, com média de R$ 6.520,11 por tonelada.

O dólar registrou valorização de 1,2% no mesmo intervalo, encerrando a R$ 5,253. Caso a moeda norte-americana mantenha trajetória de recuperação, a tendência é de maior competitividade das commodities brasileiras no mercado internacional.

As exportações brasileiras de soja iniciaram 2026 em ritmo acelerado. Segundo dados oficiais, os embarques totalizaram 1,87 milhão de toneladas em janeiro, alta de 75,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Desse volume, 57,2% tiveram a China como destino. O preço médio em dólar alcançou US$ 442,94 por tonelada, o maior patamar desde janeiro de 2024.

Para o farelo de soja, as exportações foram recordes para um mês de janeiro, somando 1,86 milhão de toneladas, volume 13% superior ao registrado um ano antes. Houve forte expansão das compras por Indonésia (+56,6%) e Tailândia (+33,5%), que se destacaram como principais destinos no período.

No caso do óleo de soja, os embarques atingiram 140,17 mil toneladas em janeiro, volume 69,3% superior ao de um ano antes e o maior desde agosto de 2025. Do total exportado, 71,6% tiveram a Índia como destino.

Campo

Apesar da irregularidade das chuvas, especialmente no Sul do Brasil e na Argentina, o mercado mantém expectativa de ampla oferta de soja na América do Sul na safra 2025/26.

A colheita no Brasil alcançou 11,4% da área até o fim de janeiro, acima dos 8% registrados no mesmo período da safra anterior. O avanço é mais expressivo em Mato Grosso, com 33,2% da área colhida, frente a 14,7% há um ano. Minas Gerais atingiu 10%, Santa Catarina chegou a 5,5% e Tocantins a 5%, todos acima dos níveis do ciclo anterior.

Por outro lado, o ritmo permanece mais lento no Paraná, com 5% da área colhida, bem abaixo dos 18% do mesmo período do ano passado. Em Mato Grosso do Sul, o avanço é de 3%, contra 7% no ciclo anterior. São Paulo ainda não havia iniciado a colheita, enquanto Goiás atingiu 1,5% e a Bahia, 3%.

No Rio Grande do Sul, as condições climáticas seguem como ponto de atenção, com chuvas irregulares e baixa umidade do solo, além de maior pressão de pragas. Ainda assim, o potencial produtivo permanece positivo, caso as precipitações se regularizem.

Na Argentina, a semeadura da safra 2025/26 foi concluída. Com o avanço do ciclo, o foco do mercado se volta às condições climáticas, especialmente porque as áreas de plantio precoce entram na fase crítica de desenvolvimento, período de maior demanda hídrica da cultura.

Fonte: Cepea, Secex, Conab. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.