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09/Feb/2026

Fim da moratória eleva pressão para UE ampliar produção de soja

O enfraquecimento da moratória da soja intensifica a pressão para que a Europa amplie a produção doméstica do grão como forma de reduzir riscos regulatórios, custos de conformidade e a exposição a cadeias externas consideradas sensíveis. A avaliação é de que, sem um acordo coletivo de verificação, o abastecimento europeu tende a se tornar mais complexo e oneroso, alterando o cálculo econômico das indústrias de ração e proteína animal.

A ausência de um mecanismo conjunto de controle ambiental implica que a comprovação de soja livre de desmatamento passe a depender de verificações individuais ao longo da cadeia. Esse movimento aumenta a complexidade operacional, eleva custos e amplia a percepção de risco para importadores europeus, especialmente em um ambiente de maior rigor regulatório e exigências crescentes de rastreabilidade.

Com a fragmentação dos controles, cresce o risco de inconsistências no mercado europeu, inclusive a entrada de soja que anteriormente estaria excluída por critérios ambientais mais rígidos. A manutenção de datas de corte ambientais historicamente adotadas é considerada fundamental para evitar o enfraquecimento progressivo de padrões voluntários e para preservar a credibilidade dos sistemas de certificação.

O cenário se torna ainda mais sensível com a entrada em vigor do Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR). Sem a salvaguarda adicional de um acordo coletivo, empresas do bloco tendem a reforçar de forma significativa seus sistemas de diligência devida ou, em alguns casos, reduzir a exposição a origens consideradas de maior risco ambiental.

Do ponto de vista econômico, a verificação individual tende a elevar custos ao longo de toda a cadeia, com potencial repasse para compradores de ração e, indiretamente, para produtores de proteína animal. Esse efeito ocorre em um contexto de margens pressionadas na agropecuária europeia, o que amplia a sensibilidade do setor a aumentos de custos regulatórios.

Em termos de oferta, a produção de soja da União Europeia permanece limitada. A colheita recente ficou próxima de 3 milhões de toneladas, e projeções indicam expansão moderada da área plantada em 2026, o que pode elevar a produção para pouco mais de 3,1 milhões de toneladas, ainda fortemente condicionada às condições climáticas da próxima safra.

Mesmo com esse avanço, a dependência europeia de importações segue elevada, superando 30 milhões de toneladas anuais de soja e farelo. A dependência é particularmente acentuada no farelo, principal insumo da indústria de rações. O Brasil permanece como um dos principais fornecedores, respondendo por parcela relevante dos embarques destinados ao mercado europeu.

Diante desse quadro, políticas de incentivo a culturas proteicas no bloco e a demanda crescente por proteínas vegetais sustentáveis sustentam uma perspectiva positiva de médio e longo prazo para a soja produzida na Europa. O avanço da produção local é visto não como substituição das importações, mas como instrumento estratégico de mitigação de risco em um ambiente marcado por maior rigor regulatório, incerteza geopolítica e crescente exigência por cadeias de suprimento transparentes e livres de desmatamento.

Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.