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09/Feb/2026

China sinaliza forte demanda de importações de soja em 2026

A China indicou que pretende ampliar de forma consistente as importações de produtos agropecuários com oferta doméstica insuficiente em 2026, reforçando a perspectiva de demanda sustentada por soja no mercado internacional. A sinalização consta do plano rural chinês para 2026, conhecido como “Documento nº 1”, principal diretriz anual de política agrícola do País, que orienta as ações do governo central para o setor rural.

De acordo com o plano, o governo chinês pretende aprofundar a participação no comércio agrícola internacional, ao mesmo tempo em que busca regular o ritmo e a escala das importações para preservar a segurança alimentar nacional. A estratégia indica que, mesmo com esforços internos de diversificação produtiva, a dependência externa para o suprimento de soja seguirá elevada no curto e médio prazo.

Atualmente, a China é o principal destino da soja brasileira. No último ano, o País asiático respondeu por cerca de 80% das exportações brasileiras da oleaginosa, segundo dados consolidados do setor exportador. Esse fluxo ganhou ainda mais relevância nos últimos anos em função de tensões comerciais globais, que alteraram temporariamente a dinâmica das origens de compra.

O plano rural chinês estabelece como meta a estabilização da produção total de grãos em torno de 700 milhões de toneladas em 2026. Em 2025, a produção atingiu 714,9 milhões de toneladas, recorde histórico tanto em volume quanto em produtividade. Na metodologia chinesa, o conceito de grãos engloba cereais, leguminosas e tubérculos.

Diante da importância estratégica da soja como fonte de óleo comestível e proteína vegetal, o documento prevê esforços para reduzir parcialmente a dependência externa por meio da diversificação do cultivo doméstico. Entre as culturas priorizadas estão canola, amendoim, camélia oleaginosa e outras oleaginosas alternativas. Ainda assim, o próprio plano reconhece que essas iniciativas não substituem, no curto prazo, o volume de soja importada.

No segmento de ração animal, a diretriz aponta a continuidade dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento de variedades de soja de maior rendimento, com o objetivo de elevar a eficiência produtiva interna. Paralelamente, o governo chinês reforça a necessidade de manter o abastecimento externo para atender à demanda crescente dos setores de proteína animal.

O documento também destaca o avanço tecnológico como eixo central da política agrícola. A China pretende ampliar o uso de inteligência artificial, drones, robôs agrícolas, Internet das Coisas e sistemas automatizados no campo. Atualmente, o País concentra mais de metade da frota mundial de drones agrícolas em operação, consolidando sua posição de liderança na digitalização da agricultura.

No mercado internacional, a sinalização de maior abertura comercial e de manutenção das importações sustentou a percepção de demanda firme por soja em 2026. Apesar disso, analistas avaliam que mudanças relevantes na origem das compras chinesas tendem a ser limitadas, dado o tamanho do mercado e a estrutura já consolidada de fornecimento global.

Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.