09/Feb/2026
A sinalização de uma possível ampliação das compras chinesas de soja dos Estados Unidos trouxe volatilidade recente aos preços na Bolsa de Chicago (CBOT) e levantou incertezas sobre o real volume envolvido na operação. O mercado passou a questionar se o volume citado inclui ou não aquisições já realizadas anteriormente, o que limita a leitura de impacto efetivo sobre o balanço global de oferta e demanda.
Do ponto de vista estrutural, o volume potencial mencionado não se distancia da média histórica de importações chinesas, mas qualquer incremento adicional exigiria ajustes relevantes nos estoques norte-americanos, que já se encontram em níveis apertados segundo estimativas oficiais. Ainda assim, não há sinais claros de redirecionamento imediato da demanda chinesa, sobretudo em um momento de avanço acelerado da colheita na América do Sul, onde a soja tende a apresentar maior competitividade logística e de preço.
Nesse contexto, os prêmios de exportação no Brasil começaram a ceder como forma de estimular a demanda externa. A procura permaneceu firme no início do ano, com a programação de embarques indicando volumes significativamente superiores aos observados no mesmo período do ciclo anterior. No entanto, com a entrada mais intensa da safra no mercado, a tendência é de deterioração gradual dos prêmios, refletindo a combinação de oferta recorde no Brasil e boas perspectivas produtivas em países vizinhos.
Além do fator China, mudanças recentes na política energética dos Estados Unidos passaram a oferecer suporte específico ao mercado de óleo de soja. Atualizações nas diretrizes de créditos fiscais para biocombustíveis indicam maior restrição ao uso de matérias-primas importadas, priorizando insumos produzidos na América do Norte. Esse movimento tende a reduzir a entrada de óleos alternativos no mercado norte-americano e a estimular a demanda interna por óleo de soja.
A expectativa de aumento dos mandatos de biocombustíveis também pode elevar o processamento doméstico de soja a partir da safra 2026/27, reforçando o suporte estrutural ao complexo do óleo, mesmo em um ambiente de ampla oferta global de grãos. Esse fator passou a ser considerado um dos principais pontos de monitoramento para o mercado ao longo dos próximos meses.
Apesar desses vetores de sustentação pontual, o cenário geral segue pressionado. Nos últimos meses, a soja acumulou queda relevante em Chicago, reflexo de estoques elevados nos Estados Unidos, ritmo fraco de exportações e conforto na oferta mundial. A produção recorde na América do Sul, com volumes elevados no Brasil, Argentina e Paraguai, limita movimentos de alta mais consistentes no mercado internacional.
No Brasil, a produção deve se aproximar de 180 milhões de toneladas, sustentada por chuvas regulares nas principais regiões produtoras. O avanço da colheita confirma bons rendimentos em Estados como Mato Grosso e Paraná. Na Argentina, apesar de períodos recentes de restrição hídrica e temperaturas elevadas, a previsão de retorno das chuvas mantém a expectativa de uma safra robusta, reforçando o quadro de ampla disponibilidade regional.
Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.