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09/Feb/2026

Real apreciado pressiona preços com soja abaixo de R$ 90

A valorização do real frente ao dólar pode provocar uma queda significativa nos preços da soja no mercado brasileiro, especialmente em Mato Grosso. Simulações de mercado indicam que, em um cenário de câmbio apreciado para R$ 4,50 por dólar, o preço da saca pode recuar para cerca de R$ 87. Com a taxa de câmbio em R$ 4,75 por dólar, a referência ficaria próxima de R$ 93 por saca. Já com o dólar ao redor de R$ 5,30, patamar observado recentemente, a soja é negociada em torno de R$ 106 por saca no Estado, enquanto um câmbio a R$ 5,50 elevaria o preço para aproximadamente R$ 111 por saca.

As simulações consideram o contrato março da Bolsa de Chicago (CBOT) e prêmios de exportação próximos aos atuais, em torno de 1.100 centavos de dólar por bushel em Chicago e cerca de 25 centavos de dólar por bushel nos portos brasileiros. O movimento recente de apreciação do real já foi suficiente para derrubar as cotações abaixo de R$ 100 por saca no mercado físico de Mato Grosso, confirmando o elevado grau de sensibilidade dos preços domésticos à taxa de câmbio.

As projeções macroeconômicas apontam para um câmbio ainda volátil ao longo de 2026. No cenário externo, um dólar global mais fraco tende a favorecer moedas emergentes, refletindo uma postura mais cautelosa dos investidores em relação aos Estados Unidos e uma condução monetária menos restritiva por parte do Federal Reserve. Mesmo com o início do ciclo de queda da taxa Selic, o diferencial de juros do Brasil deve permanecer elevado, mantendo o País atrativo para fluxos de capital e oferecendo algum suporte ao real.

No ambiente doméstico, porém, fatores de risco seguem relevantes. O ano eleitoral tende a elevar a percepção de incerteza política e fiscal, aumentando o prêmio de risco exigido pelos investidores. Esse movimento costuma limitar a valorização da moeda e, em determinados momentos, pode até provocar episódios de depreciação cambial. Assim, o real deve continuar influenciado por forças opostas ao longo do ano, com elevada volatilidade.

A comercialização da safra 2025/26 avançou em janeiro, mesmo com a queda das cotações, impulsionada por necessidades de caixa e receio de novas baixas. Ainda assim, aproximadamente dois terços da produção seguem por ser negociados, indicando um volume expressivo ainda pendente de comercialização. As vendas permanecem atrasadas em relação à média histórica, e o ritmo dependerá da evolução do câmbio, das cotações internacionais e dos prêmios de exportação.

Os prêmios, apesar de ainda positivos, recuaram recentemente e podem sofrer nova pressão com o avanço da colheita. Caso isso ocorra, o impacto negativo sobre os preços ao produtor tende a se intensificar. Outro fator de atenção é o custo logístico. Os fretes já registraram altas mais fortes em janeiro, reflexo de uma safra volumosa e mais concentrada no tempo, o que pressiona a infraestrutura e tende a ser parcialmente repassado ao produtor.

A colheita da soja no Brasil alcançou cerca de 10% da área cultivada, com avanço mais significativo em Mato Grosso, Minas Gerais e Paraná. No Mato Grosso, o excesso de chuvas tem dificultado o ritmo dos trabalhos, e a previsão indica manutenção de volumes elevados de precipitação no Centro-Oeste nos próximos dias. Em contrapartida, as condições climáticas seguem favoráveis ao desenvolvimento das lavouras mais tardias em grande parte do País.

A expectativa é de uma safra recorde, estimada em torno de 180 milhões de toneladas na temporada 2025/26, sustentada por chuvas regulares em dezembro e janeiro. Os primeiros resultados de campo confirmam produtividades elevadas em Estados como Mato Grosso e Paraná. No Rio Grande do Sul, a irregularidade das precipitações observada recentemente tende a diminuir, com retorno das chuvas previsto para a segunda semana de fevereiro.

Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.