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06/Feb/2026

Compras chinesas e biocombustíveis sustentando a soja

O complexo soja mantém sustentação na Bolsa de Chicago (CBOT), mesmo diante da recente valorização do dólar, apoiado por expectativas de compras adicionais da China, riscos no mercado de energia e diretrizes consideradas favoráveis ao setor de biocombustíveis nos Estados Unidos. A avaliação é de Bertrand Oosterle, vice-presidente de clearing e execução de vendas da StoneX.

A força do dólar está associada à indicação de Kevin Walsh pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a presidência do Federal Reserve, movimento interpretado pelo mercado como sinal de viés mais restritivo da política monetária. Ainda assim, segundo Oosterle, as oleaginosas demonstraram resiliência frente à pressão cambial.

O principal fator de suporte recente veio da sinalização de aumento das compras chinesas após conversa entre Trump e o presidente da China, Xi Jinping. O mercado passou a considerar a possibilidade de que os volumes já confirmados avancem de cerca de 12 milhões para até 20 milhões de toneladas. Esse movimento impulsionou todo o complexo de oleaginosas, incluindo soja, farelo, óleo, canola e colza.

Outro vetor relevante foi a elevação das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, que pressionou os preços do petróleo e reforçou a competitividade dos biocombustíveis. O cenário coincidiu com a divulgação de diretrizes preliminares do crédito tributário 45Z, interpretadas como favoráveis à demanda doméstica por matérias-primas agrícolas.

As indicações apontam para maior restrição quanto à origem dos insumos elegíveis, priorizando a produção da América do Norte. Na prática, isso tende a reduzir a entrada de óleos importados e ampliar a demanda por óleo de soja produzido internamente nos Estados Unidos, movimento que sustentou altas recentes do produto.

O impacto sobre o farelo de soja foi mais limitado. Inicialmente, a valorização do óleo pressionou negativamente o subproduto, mas parte desse movimento foi revertida com a melhora do sentimento em relação às compras chinesas, permitindo recuperação parcial das cotações.

No milho, a reação foi mais contida, reflexo dos elevados estoques de etanol nos Estados Unidos, atualmente próximos de 25,14 milhões de barris, patamar próximo ao pico histórico registrado em março de 2024. Esse nível indica que parte relevante da demanda já foi antecipada pelo mercado.

No posicionamento especulativo, Oosterle destacou cobertura consistente de posições vendidas. No trigo negociado em Paris, a redução das posições líquidas vendidas foi expressiva na última semana, enquanto em canola houve ampliação das posições compradas pelos fundos.

Na Europa, as exportações de trigo da União Europeia alcançaram volumes semelhantes aos do ano anterior, movimento considerado levemente favorável. Preocupações climáticas com frio intenso em partes da Alemanha, Polônia e Ucrânia também ofereceram algum suporte ao mercado, assim como entraves logísticos associados ao conflito no Leste Europeu.

Na América do Sul, chuvas recentes trouxeram alívio às lavouras da Argentina, embora ainda haja necessidade de precipitações mais regulares. No Brasil, a colheita da soja avança e estimativas privadas já indicam produção acima de 181 milhões de toneladas.

Apesar do cenário mais construtivo, Oosterle manteve cautela em relação às compras chinesas. Segundo ele, há confirmação de vendas em torno de 12 milhões de toneladas, mas volumes adicionais ainda não apareceram nos registros. A expectativa do mercado é de avanço, caso as sinalizações políticas se convertam em negócios efetivos.

Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.