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06/Feb/2026

Anúncio político dos EUA não sustenta alta da soja

A declaração do presidente dos Estados Unidos de que a China poderá adquirir até 20 milhões de toneladas de soja norte-americana na safra atual e 25 milhões na próxima provocou forte reação nos mercados e volume recorde de negociação na Bolsa de Chicago (CBOT), mas o movimento é avaliado como predominantemente político e sem confirmação concreta de compras adicionais por parte de Pequim.

O contrato março da soja avançou 26,50 centavos de dólar na sessão, encerrando a US$ 10,9225 por bushel, alta de 2,49%. Durante o pregão, os ganhos chegaram a se aproximar de 5%, mas parte relevante foi devolvida ainda no mesmo dia. O volume negociado atingiu cerca de 930 mil contratos, recorde histórico, superando inclusive o número de contratos em aberto, estimado em 899 mil, evidenciando elevada volatilidade associada ao anúncio.

Apesar da reação expressiva dos preços, não houve confirmação de novas compras chinesas após a declaração. O mercado avalia que qualquer avanço efetivo nas aquisições dependerá de contrapartidas comerciais, especialmente relacionadas a tarifas, o que mantém elevado grau de incerteza quanto à materialização dos volumes mencionados.

Do ponto de vista fundamental, o mercado global de soja segue amplamente abastecido. A China já terá acesso, nas próximas semanas, a volumes expressivos do grão, com embarques combinados dos Estados Unidos e da América do Sul somando cerca de 12,8 milhões de toneladas em trânsito para fevereiro, patamar considerado recorde para o período. Em janeiro, os embarques já haviam alcançado aproximadamente 5 milhões de toneladas.

O Brasil contribui para esse cenário de ampla oferta, com compromissos de exportação para fevereiro ao redor de 14 milhões de toneladas, nível historicamente elevado. Essa disponibilidade tem pressionado a competitividade relativa da soja brasileira, com enfraquecimento da base e negociações para março e abril ocorrendo cerca de 80 centavos de dólar por bushel abaixo da soja norte-americana.

Nesse contexto, a adição de novos volumes aos estoques chineses ampliaria um quadro já confortável de oferta, o que limita a sustentação de altas consistentes em Chicago. Para os próximos meses, o foco do mercado permanece no ritmo efetivo das exportações dos Estados Unidos e na consolidação dos estoques finais, que podem se situar entre 200 milhões e 240 milhões de bushels, acima das projeções anteriores ao rali.

No pano de fundo, a evolução da safra sul-americana reforça o viés de pressão. No Brasil, a colheita avança sem intercorrências relevantes, com estados líderes apresentando ritmo acelerado e produtividades elevadas. Na Argentina, a regularização das chuvas reduziu riscos produtivos no curto prazo. Assim, os fundamentos permanecem pouco altistas, enquanto os preços seguem reagindo a fatores políticos de difícil antecipação, o que tende a manter a volatilidade elevada no curto prazo.

Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.