06/Feb/2026
O acordo comercial entre Estados Unidos e China tende a comprimir de forma relevante a janela de exportação brasileira de soja em 2026 e pode desencadear ajustes estruturais na produção nacional nos próximos anos, reduzindo o espaço do Brasil no comércio global do grão. A combinação entre compromissos de compra assumidos pela China junto aos Estados Unidos, enfraquecimento da demanda chinesa e oferta global elevada impõe um ambiente mais desafiador para os exportadores brasileiros.
Pelos termos do entendimento entre Washington e Pequim, a China deve ampliar significativamente as aquisições de soja norte-americana ao longo de 2026, incluindo volumes estimados em até 25 milhões de toneladas. Esse movimento tende a ocupar grande parte da demanda chinesa no primeiro e no quarto trimestres do ano, restringindo o espaço para embarques de outras origens.
O impacto direto para o Brasil ocorre em um momento de entrada de uma das maiores safras da história no mercado internacional. Com menor participação chinesa fora do segundo e do terceiro trimestres, o País precisará redirecionar fluxos, ampliar a busca por mercados alternativos ou lidar com maior pressão de oferta no mercado global, o que tende a limitar reações de preços.
Além da questão comercial, o cenário chinês de demanda segue frágil. Apesar de uma recuperação pontual das importações no fim de 2025, impulsionada por problemas climáticos que afetaram a qualidade do milho doméstico e elevaram preços internos, o movimento é visto como resultado de restrições de oferta e não de uma retomada consistente do consumo. O processamento de soja e a demanda por ração seguem pressionados.
O setor de proteína animal na China permanece como fator estruturalmente baixista. O ciclo de desestocagem de suínos e aves ainda não foi concluído, com margens pressionadas e necessidade de ajuste de produção. A redução de plantéis implica menor consumo de ração, limitando a demanda por soja e grãos destinados à alimentação animal.
Diante desse contexto, o excedente global de oferta tende a ser o principal fator de pressão sobre os preços internacionais da soja em 2026. Para o Brasil, o desafio é ampliado pela compressão da janela de exportação e pela necessidade de reavaliar estratégias produtivas e comerciais. O cenário sugere que, caso o novo arranjo comercial se consolide, ajustes estruturais na produção brasileira poderão ocorrer ao longo dos próximos anos, reduzindo o ritmo de expansão e a participação relativa do País no mercado global.
Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.