06/Feb/2026
A produção de soja no Paraguai na safra 2025/26 pode alcançar um novo recorde histórico, impulsionada por produtividades acima da média e condições climáticas favoráveis no início do ciclo. A estimativa para a safra principal foi revisada para 10,14 milhões de toneladas, avanço de 5,1% em relação à projeção anterior. Considerando uma produção adicional próxima de 1,39 milhão de toneladas na segunda safra, o volume total pode atingir 11,53 milhões de toneladas.
O cenário favorável começou a se confirmar com o avanço da colheita em janeiro. As chuvas regulares registradas em dezembro favoreceram o desenvolvimento das lavouras e resultaram em rendimentos superiores à média histórica em importantes regiões produtoras, sustentando a revisão positiva das estimativas.
Nos principais polos agrícolas, os ajustes de produtividade foram relevantes. No noroeste da Região Oriental, Alto Paraná passou a operar com rendimento médio estimado em 3,6 toneladas por hectare, enquanto Canindeyú alcançou 3,5 toneladas por hectare. Na faixa centro-sul, Caaguazú e Itapúa tiveram as produtividades elevadas para 3,4 toneladas por hectare. Também foram observados ajustes positivos em Guairá, Caazapá, San Pedro e Paraguarí.
O ritmo da colheita também chama atenção. No fim de janeiro, entre 20% e 30% da área total já havia sido colhida no país, com maior avanço no norte da Região Oriental em relação ao sul, comportamento considerado atípico. As condições climáticas prolongaram o ciclo vegetativo no sul, deslocando o pico da colheita para as duas primeiras semanas de fevereiro, com expectativa de conclusão até o final do mês.
No mercado, a perspectiva de oferta elevada começa a pressionar os preços. Embora o ritmo de comercialização antecipada esteja em linha com a média dos últimos três anos, com cerca de 33,6% da produção já negociada, os basis apresentam deterioração. Desde meados de janeiro, os valores em Assunção recuaram de aproximadamente 23 dólares negativos por tonelada para patamares próximos de 40 dólares negativos por tonelada.
Esse movimento tende a se intensificar com o avanço da colheita regional e com o cenário mais amplo de aumento da oferta na América do Sul, reforçando um ambiente de pressão sobre os preços internacionais nos próximos meses.
Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.