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06/Feb/2026

Soja concentra as recuperações judiciais no agronegócio

O número de empresas do agronegócio em recuperação judicial segue em trajetória de alta e tende a permanecer elevado ao longo de 2026. No quarto trimestre de 2025, havia 493 companhias do setor nessa condição, crescimento de 67% em relação a igual período de 2024, refletindo um ambiente financeiro mais restritivo e margens pressionadas no campo.

Dentro desse universo, as empresas dedicadas ao cultivo de soja concentraram a maior parte dos casos. Ao final de 2025, eram 217 companhias produtoras da oleaginosa em recuperação judicial, mais que o dobro do registrado um ano antes, quando esse número somava 100 empresas. O avanço evidencia a maior vulnerabilidade financeira desse segmento específico dentro do agronegócio.

O movimento é explicado pela combinação de custos de produção elevados, preços da soja em níveis considerados insuficientes para recomposição de margens e, sobretudo, pela restrição de crédito associada a juros elevados. Esse cenário tem limitado a capacidade de renegociação de dívidas e levado produtores e empresas a recorrerem a instrumentos judiciais para reorganização financeira, tendência que pode se intensificar em 2026.

Indicadores de risco financeiro mostram que a proporção de empresas de cultivo de soja em recuperação judicial é significativamente superior à média do agronegócio. O índice relativo de recuperações judiciais desse segmento alcança 27,28 empresas a cada mil em atividade, enquanto o indicador agregado do setor agropecuário é de 13,53, evidenciando pressão financeira desproporcional sobre a cadeia da oleaginosa.

Apesar do quadro financeiro adverso, o desempenho comercial externo permanece robusto. As exportações brasileiras de soja em grãos atingiram 108,18 milhões de toneladas em 2025, aumento de 9,5% em relação ao ano anterior, indicando que a crise está mais associada à estrutura de custos, endividamento e financiamento do que à demanda pelo produto.

Como resposta ao ambiente de margens apertadas, observa-se desaceleração no ritmo de expansão da área plantada de soja no País. Para a safra 2025/26, a área cultivada é estimada em cerca de 47 milhões de hectares, crescimento de aproximadamente 1,4%, percentual inferior ao observado em ciclos anteriores, quando a expansão anual variava entre 3% e 5%.

Em termos produtivos, a expectativa é de leve recuo de produtividade, o que pode manter a produção nacional em torno de 176 milhões de toneladas, ainda que algumas estimativas apontem volumes próximos de 180 milhões de toneladas. Mesmo com oferta elevada, a sustentabilidade financeira do setor segue dependente de ajustes estruturais, ampliação do consumo interno — inclusive via biocombustíveis — e eventual reestruturação das condições de endividamento.

Fonte: Valor Econômico. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.