04/Feb/2026
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos divulgou proposta de regulamentação do crédito tributário 45Z que restringe o benefício a biocombustíveis produzidos com matérias-primas da América do Norte e elimina a penalidade por mudança indireta no uso da terra. A medida praticamente dobra o incentivo ao biodiesel de soja e ao etanol de milho, ao mesmo tempo em que exclui do benefício óleo de cozinha usado e sebo importados, que vinham ganhando espaço no mercado norte-americano por custos mais baixos.
O crédito 45Z reduz o imposto de renda de empresas que produzem combustíveis de transporte com menor intensidade de carbono. Ele se aplica a combustíveis fabricados a partir de 1º de janeiro de 2025 e comercializados até 31 de dezembro de 2029, exigindo registro do produtor junto ao Internal Revenue Service e comprovação das emissões associadas ao produto final.
A primeira mudança relevante é de caráter geográfico, limitando o crédito a matérias-primas cultivadas ou produzidas nos Estados Unidos, Canadá e México. Com isso, insumos importados da China, Indonésia e outros países deixam de ser elegíveis, o que reduz a competitividade de alternativas ao óleo de soja e tende a favorecer a indústria doméstica de esmagamento.
A segunda alteração elimina a penalidade conhecida como mudança indireta no uso da terra, indicador teórico que atribuía emissões adicionais ao biodiesel de soja e ao etanol de milho. Sem esse fator, o valor do crédito para esses biocombustíveis praticamente dobra, movimento que também beneficia o biodiesel produzido a partir de canola.
Atualmente, o óleo de soja responde por cerca de 60% da matéria-prima do biodiesel nos Estados Unidos. A nova regra tende a elevar a demanda por soja destinada ao esmagamento, oferecendo suporte aos prêmios no mercado físico, estimulando investimentos industriais e intensificando a disputa entre o uso da oleaginosa para alimentação e para energia.
Entidades do setor avaliaram a proposta como positiva. A Associação Americana de Soja e a Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas classificaram a mudança como uma correção necessária, enquanto representantes da indústria de etanol destacaram a importância de alinhar o crédito ao Padrão de Combustíveis Renováveis, que define volumes obrigatórios de mistura e sustenta a demanda.
Na avaliação da consultoria AgResource, a exclusão da penalidade de mudança indireta no uso da terra adiciona cerca de 32 centavos de dólar por galão ao biodiesel e ao diesel renovável, fortalecendo as margens do complexo soja. Ainda assim, o impacto sobre os preços do grão tende a ser limitado pela elevada utilização da capacidade de esmagamento nos Estados Unidos, hoje próxima de 92% do máximo técnico, e pela perspectiva de oferta robusta na América do Sul.
Com margens de esmagamento ao redor de 1,90 dólar por bushel e participação do óleo próxima de 48% no valor da soja processada, a indústria norte-americana segue operando de forma agressiva. Mesmo com novas plantas previstas para 2026, o espaço para expansão adicional do processamento é restrito, o que limita o potencial de sustentação de preços no médio prazo diante do quadro confortável de oferta global de grãos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.