03/Feb/2026
Produtores de soja dos Estados Unidos atravessam um cenário de crise prolongada, marcado pelo terceiro ano consecutivo de perdas significativas. A combinação de custos de produção em níveis historicamente elevados e preços recebidos pelos agricultores persistentemente baixos tem comprometido a rentabilidade do setor, ampliando a pressão financeira sobre as propriedades rurais.
A colheita de soja de 2025 é apontada como a mais onerosa da história em termos de custo por acre. Mesmo diante desse aumento expressivo dos custos, os preços de mercado da soja não acompanharam o movimento, permanecendo em patamares deprimidos e insuficientes para compensar o avanço das despesas operacionais, o que agrava o quadro de margens negativas.
O ambiente externo tem desempenhado papel central nesse desempenho adverso. As tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China afetaram de forma direta a demanda internacional por soja norte-americana. Após a imposição recíproca de tarifas no início de 2025, as exportações de soja dos Estados Unidos para o mercado chinês ficaram praticamente interrompidas entre o fim de maio e o final de novembro, período em que a China redirecionou suas compras principalmente para o Brasil e a Argentina.
Embora tenham sido anunciados compromissos de aquisição de pelo menos 12 milhões de toneladas de soja para os últimos dois meses de 2025, há incertezas quanto ao cumprimento integral desses volumes dentro do prazo originalmente previsto. Caso esse montante se confirme como o total efetivamente comprado no ano comercial, representará uma redução de cerca de 50% em relação à média registrada nos dois ciclos anteriores, reforçando o enfraquecimento da demanda externa.
Diante desse contexto, cresce a pressão por políticas internas capazes de estimular o consumo doméstico de soja. Entre as principais propostas está a definição rápida das metas obrigatórias de uso de biocombustíveis para 2026 e 2027, que poderiam elevar de forma relevante o volume anual de esmagamento de soja, contribuindo para absorver parte do excedente e sustentar a demanda interna.
Outra medida defendida é a limitação do acesso a créditos para biocombustíveis produzidos com insumos importados, como óleo de cozinha usado. A avaliação é de que essa restrição poderia restabelecer a competitividade do óleo de soja produzido internamente, fortalecendo a cadeia doméstica e reduzindo a dependência de matérias-primas externas.
No campo do apoio governamental, os programas de assistência recentemente anunciados são considerados insuficientes frente à magnitude das perdas acumuladas. Mesmo com os auxílios disponíveis, os produtores de soja ainda enfrentam prejuízos estimados em cerca de 75 dólares por acre, evidenciando um descompasso entre o nível das perdas e o volume de recursos destinados ao setor.
Adicionalmente, os critérios utilizados para o cálculo dos pagamentos de assistência basearam-se em preços de referência superiores aos praticados atualmente no mercado, o que reduziu o valor efetivo da ajuda. Esse fator aumenta o risco de desestímulo ao plantio, caso os produtores percebam que, em cenários de crise prolongada, o suporte governamental não será suficiente para mitigar as perdas econômicas. Fonte: Canal Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.