27/Jan/2026
Segundo a AgResource, a colheita acelerada da safra de soja no Brasil, somada à melhora consistente das chuvas na Argentina, deve ampliar rapidamente a oferta disponível no mercado físico global e manter os preços sob pressão nas próximas semanas. O avanço da safra sul-americana ocorre em um ambiente de oferta confortável e ausência de riscos climáticos relevantes, o que limita a necessidade de racionamento da demanda e reduz o espaço para sustentação das cotações. A colheita brasileira avança em ritmo superior ao observado no ano passado e acima da média histórica, especialmente em Mato Grosso, principal Estado produtor. Na semana passada, o Estado já havia colhido cerca de 14% da área, ante aproximadamente 5% no mesmo período de 2025. Isso significa que cerca de 13,6 milhões de toneladas de soja passaram a estar disponíveis no mercado físico global em um intervalo muito curto. Esse volume adicional tende a alterar a dinâmica de curto prazo do mercado internacional.
A grande questão agora é se haverá crescimento suficiente da demanda para absorver esse volume ou se os exportadores brasileiros precisarão ser mais agressivos para limpar essa oferta. A entrada mais rápida da soja brasileira aumenta a competição entre origens e dificulta movimentos de alta mais duradouros nos preços futuros. Do lado climático, o risco produtivo na Argentina diminuiu de forma relevante. As previsões mais recentes indicam volumes expressivos de chuva para as principais regiões agrícolas do país entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, com volumes de 50 milímetros a 75 milímetros de chuva cobrindo grande parte do cinturão produtor argentino, o que praticamente elimina preocupações nacionais com produção. O calendário agrícola reduz a probabilidade de perdas relevantes. Provavelmente não haverá estresse significativo na safra argentina. Entrando em fevereiro, a janela para problemas sérios se fecha rapidamente.
Mesmo eventuais oscilações pontuais de clima dificilmente seriam suficientes para alterar o quadro de oferta ampla na América do Sul. No Brasil, o desempenho da safra tem surpreendido positivamente. Além da colheita mais rápida, os rendimentos vêm se mostrando elevados em diversas regiões. A AgRural elevou sua estimativa de produção brasileira para 184 milhões de toneladas. A AgResource trabalha com um intervalo ainda mais alto, entre 186 milhões e 188 milhões de toneladas, caso as condições climáticas permaneçam favoráveis. Não há nenhuma grande região produtora com rendimento abaixo da tendência. No mercado internacional, a recente recuperação das cotações incorporou um prêmio climático que tende a ser devolvido caso as previsões se confirmem. O mercado chegou a adicionar algum prêmio climático, mas agora volta a olhar para um cenário de oferta ampla e sem necessidade de desacelerar o consumo.
Esse ambiente dificulta a sustentação de altas mais consistentes na Bolsa de Chicago, sobretudo à medida que o fluxo físico da América do Sul se intensifica. A soja brasileira já se mostra mais competitiva que a norte-americana, o que tende a redirecionar a demanda global para o Brasil nas próximas semanas. O mercado não precisa desencorajar consumo neste momento. A oferta é grande e está aumentando. Os produtores norte-americanos devem aproveitar os ralis para fazer vendas da safra velha e manter ao menos 40% a 50% da safra nova já comercializada. O quadro geral aponta para continuidade da pressão sobre os preços no curto e médio prazo. Eventuais repiques associados a ajustes técnicos ou ruídos climáticos devem ser tratados como movimentos pontuais. Toda vez que aparece uma demanda mais forte, os números de produção acabam ficando maiores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.