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26/Jan/2026

Preço da soja pressionado no mercado doméstico

A queda do dólar frente ao Real na semana passada reduziu a competitividade da soja brasileira no mercado internacional, pressionando as cotações internas. Além disso, a expectativa de safra recorde no Brasil reforça a cautela dos compradores, que têm postergado novas aquisições à espera do avanço da colheita, o que também contribuiu para a desvalorização dos prêmios de exportação. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita da soja alcançou 3,2% da área nacional até 17 de janeiro, acima do 1,2% registrado no mesmo período da temporada passada. Dentre as regiões, Mato Grosso colheu 8,3% da área, frente a 1,5% há um ano; em São Paulo, 3,4% da área já foi colhida, acima dos 2% observados em igual período de 2025; e, no Paraná, os trabalhos alcançaram 3%, ante 2% no mesmo intervalo da safra anterior.

No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) destaca o município de Campo Mourão como o mais adiantado, com 15% da área colhida. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 1,7%, cotado a R$ 129,34 por saca de 60 Kg, valor nominal mais baixo desde 31 de janeiro de 2025. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 1% nos últimos sete dias, a R$ 123,14 por saca de 60 Kg, o menor patamar nominal desde 15 de abril de 2024. Nos últimos sete dias, as cotações registram recuo de 0,9% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,7% no mercado de lotes (negociações entre empresas).

Quanto ao farelo de soja, enquanto parte dos consumidores busca novos volumes para recomposição de estoques, a maioria dos agentes relata estar abastecida no médio prazo e atenta às estimativas de maior consumo de óleo de soja, o que tende a elevar o excedente de farelo. Nos últimos sete dias, as cotações do farelo registram recuo de 0,8%. O óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS), tem alta de 3,9% nos últimos sete dias, com média de R$ 6.667,58 por tonelada. Incertezas quanto às comercializações internacionais de biodiesel dão suporte às cotações do derivado no mercado doméstico. Com isso, a margem de lucro das indústrias voltou a crescer e atinge o maior patamar desde 20 de março do ano passado. Considerando os valores da soja em grão, do farelo e do óleo no estado de São Paulo, a crush margin alcançou R$ 598,30 por tonelada no dia 20 de janeiro. Na quinta-feira (22/01), recuou para R$ 528,46 por tonelada, mas ainda assim acumula alta de 0,9% nos últimos sete dias.

O retorno financeiro das indústrias em relação ao custo da soja superou 30% no dia 20 de janeiro, o maior nível desde março do ano passado. Vale ressaltar que, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), um recorde de 61 milhões de toneladas de soja em grão deve ser esmagado na temporada 2025/2026, resultando em produções recordes de 47 milhões de toneladas de farelo e de 12,25 milhões de toneladas de óleo de soja. Do lado da demanda, a Abiove projeta consumo doméstico de 20,3 milhões de toneladas de farelo e exportações de 24,6 milhões de toneladas, ambos recordes, com aumentos de 4,1% e 5,58%, respectivamente, frente à temporada passada. O consumo interno de óleo de soja é estimado em 10,8 milhões de toneladas, recorde e 2,86% superior à safra anterior. As exportações do derivado devem crescer 6,38%, para 1,45 milhão de toneladas.

Os contratos futuros do complexo soja na Bolsa de Chicago são impulsionados pela maior demanda externa por produtos norte-americanos. Esse movimento tem gerado expectativas no setor quanto à ampliação da área destinada à soja na temporada 2026/2027 nos Estados Unidos. O contrato de primeiro vencimento (Maro/2026) da soja registra avanço de 1% nos últimos sete dias, para US$ 10,64 por bushel. O óleo de soja para o mesmo vencimento tem alta de 1,5%, negociado a US$ 1.185,63 por tonelada. O contrato Março/2026 de farelo de soja tem valorização de 2,4% no mesmo comparativo, para US$ 326,50 por tonelada. Na Argentina, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, 96,2% da área destinada à soja havia sido semeada até 21 de janeiro. Embora o déficit hídrico tenha favorecido o surgimento de ácaros em parte das lavouras, as chuvas recentes contribuíram para a recuperação e para o bom desenvolvimento das áreas cultivadas. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.