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26/Jan/2026

Aliança Agrícola do Cerrado: liquidação de CRAS

A Ecoagro informou que os investidores dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) emitidos pela Aliança Agrícola do Cerrado receberão pagamento integral de R$ 114,3 milhões em 27 de janeiro, após execução das garantias da operação. A liquidação será processada pela B3 em três dias úteis, com previsão de conclusão em 28 de janeiro, segundo comunicado ao mercado divulgado no dia 22 de janeiro, pela securitizadora. O montante cobre principal, juros, multa e encargos moratórios devidos aos detentores dos títulos das duas séries da 259ª emissão da Ecoagro. "Os investidores não correm o risco de não receber o valor investido mais juros", afirmou a securitizadora em documento de perguntas e respostas divulgado em paralelo ao comunicado oficial. O recurso já está depositado na conta vinculada da emissão e o pagamento será realizado automaticamente na conta indicada pela corretora de custódia de cada investidor.

O resgate antecipado total dos CRAs foi formalizado após a Aliança Agrícola deixar de pagar os juros mensais previstos para 13 de janeiro. Em 16 de janeiro, a Ecoagro declarou o vencimento antecipado de toda a dívida e notificou formalmente a empresa para regularização, sem obter resposta dentro do prazo contratual. Diante da inadimplência confirmada, a securitizadora iniciou a execução das garantias previstas na documentação da oferta. As garantias da operação incluíam Certificados de Depósito Agropecuário e Warrant Agropecuário (CDA/WA) de soja depositados junto à Control Union, cessão de contratos de compra e venda dessa soja e uma conta escrow (garantia) com recursos em caixa. Segundo a Ecoagro, o modelo previa que, enquanto houvesse soja suficiente depositada, não havia necessidade de dinheiro em conta.

À medida que a soja era retirada, o devedor fazia aportes em dinheiro na conta escrow, mantendo a razão de garantia equilibrada. A Aliança Agrícola captou R$ 147 milhões por meio dessa emissão de CRAs em julho de 2023, em operação estruturada pela Ecoagro. Os títulos foram adquiridos por fundos de investimento em cadeias do agronegócio (Fiagros), incluindo BBGO11, do Banco do Brasil, GCRA11, da Galápagos, RURA11, do Itaú Asset, CPTR11, da Capitânia, e OIAG11, da Ourinvest. A operação previa vencimento em 2028, com pagamentos mensais de juros e amortizações semestrais. Até dezembro de 2025, a empresa vinha cumprindo os compromissos da emissão, mas já no último trimestre do ano começou a descumprir a "razão de garantia", indicador que exigia que os ativos dados em garantia equivalessem a pelo menos 120% do valor da dívida. Em 8 de janeiro, a razão de garantia estava em 119%.

A companhia havia convocado para 28 de janeiro uma assembleia de detentores de CRA para flexibilizar esse indicador para 102%, proposta que não chegou a ser votada. O calote nos CRAs ocorreu um dia antes do anúncio do encerramento das operações industriais e comerciais da Aliança Agrícola no Brasil. Em 14 de janeiro, a companhia comunicou internamente o fechamento das unidades de Bataguassu (MS) e São Joaquim da Barra (SP), além de bases comerciais em Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais e Goiás, com demissão de 344 trabalhadores. Na semana passada, a Aliança Agrícola divulgou nas redes sociais sua primeira manifestação pública desde o fechamento, atribuindo as dificuldades à "forte volatilidade de preços, compressão de margens, restrição de liquidez, juros elevados e desafios logísticos". Segundo o comunicado, "perdas acumuladas no trading elevaram o endividamento da Companhia", e exigências adicionais de garantias por instituições financeiras limitaram a capacidade de financiar o ciclo operacional.

A empresa, controlada pelo grupo russo Sodrugestvo, afirmou que a paralisação das plantas industriais é temporária e que trabalha na "recomposição de sua posição financeira, revisão do modelo de negócios e busca de alternativas para continuidade das atividades". No entanto, não detalhou cronograma de retomada nem esclareceu a situação dos contratos de compra, armazenagem e entrega de grãos firmados para a safra 2025/2026 com produtores das regiões atingidas pelo fechamento. Indicadores financeiros acompanhados por financiadores apontavam que a Aliança Agrícola registrou receita líquida de cerca de R$ 4,6 bilhões na safra 2024/2025, com Ebitda de R$ 152 milhões e margem de 3,3%. O endividamento total somava cerca de R$ 1,3 bilhão ao fim de junho de 2025, concentrado majoritariamente em linhas bancárias ligadas a exportações, como adiantamentos sobre contratos de câmbio e pré-pagamentos. Fonte: Broadcast Agro.