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23/Jan/2026

Dúvidas sobre compras da China nos EUA em 2026

Segundo a StoneX, a confirmação de que a China comprou 12 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos em 2025 não elimina as dúvidas do mercado sobre a viabilidade de um novo compromisso de 25 milhões de toneladas em 2026. As margens de esmagamento “profundamente negativas” no país asiático tornam a compra adicional economicamente questionável, especialmente diante da chegada antecipada da safra brasileira. A China comprou 12 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos. Isso atende aos requisitos iniciais dos Estados Unidos. A grande questão agora é: a China também vai comprar 25 milhões de toneladas em 2026? Uma nova rodada de compras dependerá menos de fundamentos de mercado e mais de decisões políticas. Do ponto de vista comercial, o movimento não se sustenta. As margens de esmagamento chinesas estão profundamente negativas, não faz sentido comercial. Ainda assim, o governo chinês pode seguir atuando por razões diplomáticas. A China tem enviado estoques domésticos ao mercado interno para abrir espaço para comprar importações de soja dos Estados Unidos.

Comercialmente, muitos duvidam. Politicamente, tudo depende de quão longe a China quer apaziguar os Estados Unidos. A dúvida ganha peso com o avanço da safra brasileira. As estimativas de produção continuam subindo, e a maior leitura recente alcançou 183,8 milhões de toneladas. A colheita já chega a 2% da área. Foi plantada cedo, se desenvolveu cedo, está começando a ser colhida cedo. Provavelmente será exportada cedo. O que a China vai fazer? Vai aproveitar essa safra brasileira chegando ao mercado ou vai comprar dos Estados Unidos? O desempenho recente do complexo soja foi influenciado por fatores externos. Um deles foi o acordo comercial entre China e Canadá, que eliminou a tarifa de 100% sobre o farelo de canola e reduziu a taxa sobre a semente de canola para 15%. A China já reservou 60 mil toneladas de canola canadense para embarque em março. O acordo comercial apoia a canola, a canola apoia a colza e todo o complexo de oleaginosas. No curto prazo, o efeito é positivo, mas, no longo prazo, a tendência é de menor demanda chinesa por produto europeu ou ucraniano.

Outro fator de suporte veio do setor de biocombustíveis nos Estados Unidos, diante das discussões no Congresso sobre a manutenção dos mandatos atuais. O relatório da Nopa referente a dezembro mostrou esmagamento de 224,99 milhões de bushels, o segundo maior volume já registrado para qualquer mês. Porém, o ambiente segue sensível ao noticiário político. As ameaças tarifárias feitas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, a países europeus provocaram volatilidade recente, com enfraquecimento do dólar, vendas de títulos do Tesouro norte-americano e desempenho inferior das ações dos Estados Unidos frente a outros mercados. Voltou os ‘chiliques’ tarifários de Trump. Foi uma semana bem confusa. Para a soja, o impacto desse ambiente macro é indireto. Se houver um rali com base em anúncios políticos, será preciso ver como isso se alimenta nos grãos. Uma eventual alta do dólar tende a limitar qualquer suporte mais consistente aos preços, ao reduzir a competitividade das exportações norte-americanas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.