23/Jan/2026
A Associação Americana de Soja (ASA) cobrou a implementação de medidas adicionais de apoio financeiro aos agricultores dos Estados Unidos, alegando que os recursos atuais são insuficientes para garantir a solvência do setor. A entidade avalia que o Programa de Assistência Agrícola (FBA), detalhado recentemente pelo governo, ofereceu apenas um alívio parcial e falhou em compensar totalmente os prejuízos de mercado registrados na safra 2025, deixando os produtores expostos a condições econômicas extremas no início do novo ciclo. A ASA alertou que os sojicultores iniciam a safra 2026 sob forte pressão financeira e pediu ao Congresso a cobertura das perdas econômicas não atendidas pela legislação atual. Segundo cálculos recentes da associação, cerca de 64% dos prejuízos da safra 2025 permanecem descobertos, uma vez que o programa FBA não abordou integralmente as perdas de mercado. Sem um pacote de apoio adicional, muitos produtores correm o risco de colapso financeiro antes mesmo de colherem a próxima safra, que será semeada a partir de abril.
Além da demanda por suporte direto, a ASA reivindica a definição de políticas para biocombustíveis que possam estimular a demanda interna. O setor aguarda a orientação tributária final sobre o Crédito de Produção de Combustível Limpo (45Z) e a definição de Obrigações de Volume Renovável robustas para o biênio 2026/2027. Essas medidas são essenciais para dar suporte ao mercado de biodiesel à base de soja e diesel renovável, criando um horizonte de preços mais favorável no médio prazo. A pressão da entidade ocorre após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ter anunciado, no início do mês, os detalhes do FBA, que prevê US$ 12 bilhões em auxílio total, sendo US$ 11 bilhões em pagamentos diretos baseados na área plantada em 2025 e nos custos de produção. Os recursos devem ser depositados até 28 de fevereiro de 2026 para auxiliar no planejamento do plantio da primavera. Contudo, a ASA sustenta que, apesar da gratidão pelo auxílio, o montante não resolve o déficit gerado pela desvalorização das commodities e pelos custos elevados.
Segundo a American Farm Bureau Federation (AFBF), os produtores agrícolas dos Estados Unidos enfrentarão mais um ano de margens negativas em 2026, com os custos de produção projetados em aumento para as nove principais culturas. Embora os programas de auxílio federal ofereçam suporte, eles não são suficientes para cobrir a lacuna entre as despesas operacionais inflacionadas e os preços deprimidos das commodities. A análise mostra que as perdas líquidas no setor devem ultrapassar US$ 50 bilhões, considerando os últimos três anos-safra. De acordo com a atualização de dezembro do Serviço de Pesquisa Econômica (ERS) do USDA, os custos totais por acre aumentarão entre 2,2% e 3,3% em 2026 para culturas como milho, soja, trigo, algodão e arroz. O arroz, o amendoim e o algodão permanecem como as culturas mais caras de se produzir, com custos estimados em US$ 1.336,00; US$ 1.194,00; e US$ 965,00 por acre, respectivamente. A alta é impulsionada principalmente por despesas com juros, fertilizantes, combustível e mão de obra, que permanecem bem acima dos níveis pré-2021.
Apesar do anúncio recente do USDA sobre a liberação de US$ 12 bilhões em auxílio via Programa de Assistência Agrícola (FBA), com pagamentos diretos previstos para até 28 de fevereiro, a AFBF calcula que os retornos sobre os custos totais permanecerão negativos. Mesmo após calcular a assistência federal, os produtores de arroz enfrentam perdas estimadas de US$ 210,00 por acre, seguidos pelos de algodão (US$ 202,00), milho (US$ 87,00) e soja (US$ 61,00). A federação adverte que o auxílio apenas retarda a erosão do capital de giro sem restaurar a lucratividade. Diante deste cenário de "ponto de ruptura econômico", o setor agrícola intensifica a pressão por soluções de mercado, como a aprovação da venda de E15 durante todo o ano para fortalecer a demanda interna. O Farm Bureau também alerta que as melhorias na rede de segurança previstas na nova legislação agrícola (OBBBA) só entrarão em vigor em outubro de 2026, deixando muitas operações vulneráveis no curto prazo e dependentes de medidas provisórias que não resolvem o desequilíbrio estrutural entre custos elevados e baixa receita. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.