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22/Jan/2026

Oferta brasileira de soja eleva pressão sobre os EUA

Segundo a StoneX, a China completou a compra das 12 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos previstas no acordo comercial firmado em outubro, eliminando o incentivo para novas aquisições e transferindo para compradores secundários a responsabilidade de sustentar a meta de exportação americana no atual ano comercial. Fontes do mercado físico confirmam que a China atingiu o volume combinado, embora o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) tenha oficializado até agora apenas cerca de 6 milhões de toneladas. Essencialmente, essas 12 milhões de toneladas já foram compradas. A China tem pouco incentivo para comprar mais porque a soja norte-americana está mais cara. O volume representa queda expressiva em relação aos últimos anos. Na temporada anterior, a China importou cerca de 22,6 milhões de toneladas dos Estados Unidos.

No pico de 2016/2017, as compras chegaram a 36,1 milhões de toneladas. A redução reflete tanto a perda de competitividade da soja norte-americana quanto a ampliação da oferta brasileira no mercado global. Parte da soja comprada pela China já enfrenta dificuldade para ser absorvida pelo mercado doméstico. Há dúvidas sobre a capacidade de armazenamento para o que já compraram. Como não são econômicas para as esmagadoras, vão para as reservas estatais e depois são leiloadas. Para atingir a meta oficial de 42,9 milhões de toneladas de exportação no ano comercial, os Estados Unidos precisariam vender 30,9 milhões de toneladas para destinos fora da China. Isso representaria o segundo maior volume da história para esse grupo de compradores e exigiria a venda de mais 6,2 milhões de toneladas além do já confirmado.

Normalmente, as vendas precisam superar esse número porque nem toda a soja comprada é embarcada dentro do mesmo ano comercial. O desafio se intensifica com a chegada da soja brasileira ao mercado internacional. Com a colheita avançando na Região Centro-Oeste e a oferta sul-americana mais barata começando a ganhar escala, a tendência é que eventuais compras adicionais da China se concentrem no Brasil, enquanto os Estados Unidos precisam disputar espaço em mercados secundários. Ainda é possível vender mais 6,2 milhões de toneladas ou mais para compradores fora da China e atingir a meta do USDA, mas o risco é claramente de queda. Apesar do cenário desafiador para as exportações, observa-se fluxo positivo de recursos para o complexo soja nesta quarta-feira (21/01). Parte desse movimento está ligada à expectativa de que a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) encaminhe em breve as diretrizes finais do programa de biocombustíveis para revisão do Escritório de Gestão e Orçamento. Isso inicia a contagem.

A expectativa é de que as regras finais sejam divulgadas de duas a três semanas depois, embora possa demorar um pouco mais. A indefinição sobre as regras do programa de biocombustíveis tem mantido a produção de diesel renovável abaixo da capacidade nos Estados Unidos, reduzindo a demanda por óleo de soja. Uma sinalização favorável da EPA poderia reativar o esmagamento e criar uma nova base de sustentação para o mercado americano diante da perda de espaço no comércio internacional. Destaque ainda para a redução das tensões geopolíticas após declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, em Davos, na Suíça. Trump afirmou que não invadirá a Groenlândia, mas busca negociar a compra do território por razões estratégicas. A fala aliviou parte da volatilidade que afetou os mercados de commodities na terça-feira (20/01). Isso deve acalmar os nervos e ajudar na estabilização. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.