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22/Jan/2026

Oferta da América do Sul manterá preço pressionado

Segundo avaliação do Banco BTG Pactual, a expectativa de oferta recorde de soja na América do Sul, combinada com o avanço da colheita no Brasil e ao redirecionamento da demanda chinesa, deve manter os preços da oleaginosa sob pressão ao longo do primeiro semestre de 2026. O mercado entra em um período de abundância relativa de oferta, limitando reações mais consistentes tanto nas cotações internacionais quanto no mercado doméstico. A leitura é de que a formação de preços nos próximos meses estará concentrada no ritmo de entrada da safra brasileira no mercado e na capacidade do País de escoar volumes elevados.

Com condições climáticas amplamente favoráveis desde dezembro, o Brasil caminha para consolidar uma produção robusta, com a média das projeções de consultorias convergindo para 180 milhões de toneladas. A colheita brasileira começou na primeira semana de janeiro. O clima melhorou desde o início da primavera, quando foram anotadas condições de estiagem e calor extremo, especialmente em outubro. O mês de dezembro trouxe bons acumulados de precipitação, em especial sobre a Região Centro-Oeste. As previsões para janeiro mostram anomalias positivas de precipitação em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e na Região Sul do País, com quadro neutro ou levemente negativo em Goiás e Minas Gerais.

Esse cenário climático favorável tem impulsionado revisões positivas nas estimativas de produção neste início de ano, reduzindo os riscos produtivos observados no início do ciclo. No mercado internacional, o espaço para sustentação dos preços na Bolsa de Chicago permanece limitado. A competitividade da soja norte-americana foi gradualmente erodida pelo rali dos preços ao longo de outubro e novembro, enquanto a entrada da safra brasileira altera de forma estrutural o fluxo global de comércio. A diferença de preços FOB entre o Golfo do México e o Porto de Paranaguá (PR) saltou de US$ 3,00 por tonelada no começo do ano para US$ 18,00 por tonelada atualmente. E a expectativa daqui para a frente não é otimista: em geral, a média de compras semanais de soja norte-americana pela China cai em aproximadamente quatro vezes a partir de janeiro.

Com a colheita de soja ganhando tração no Brasil a partir da segunda quinzena de janeiro, a China tende a redirecionar suas compras para o país de fevereiro em diante. Esse movimento ocorre em um momento em que os estoques finais dos Estados Unidos foram revisados para cima pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), após sucessivos cortes nas projeções de exportação. O primeiro levantamento do ciclo 2025/2026, divulgado em maio de 2025, trazia 49 milhões de toneladas de exportações norte-americanas. Esse número foi continuamente revisado para baixo a partir de julho, chegando a 42,86 milhões de toneladas no último relatório de janeiro. Historicamente, o erro da projeção de exportações de janeiro em relação ao número final é de 7,7%.

A janela de exportações norte-americanas, especialmente para a China, tende a se estreitar ao longo do segundo trimestre. Embora outros destinos fora do mercado chinês ainda possam absorver parte da soja dos Estados Unidos no curto prazo, a combinação entre menor competitividade de preços e maior oferta sul-americana limita esse suporte. Vale notar que o total de compromissos de venda de soja para destinos fora da China contabilizava, em 8 de janeiro, 22,5 milhões de toneladas, alta de 5% ante o ano anterior e 17% acima da média pós-Covid. A China está próxima de cumprir o compromisso de compra de 12 milhões de toneladas de soja norte-americana anunciado em outubro. No entanto, há ceticismo quanto à continuidade das compras chinesas nos próximos meses, especialmente diante da deterioração das relações diplomáticas entre os dois países e da crescente disponibilidade de soja sul-americana.

No Brasil, a formação de preços deve seguir fortemente ancorada na paridade de exportação. Com a entrada mais intensa da colheita, os prêmios passam a responder mais a questões logísticas do que a eventuais restrições de oferta. A capacidade de originação, transporte e embarque será determinante para evitar pressão adicional sobre os preços no interior, sobretudo em regiões mais distantes dos portos. Apesar do cenário de pressão, o mercado não opera em colapso. A demanda global por soja segue sólida, sustentada principalmente pelo consumo asiático e pelo complexo de proteínas animais, o que tende a absorver volumes elevados ao longo do ano. Ainda assim, no curto prazo, a velocidade de entrada da oferta supera a capacidade de reação da demanda, mantendo o viés negativo para os preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.