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21/Jan/2026

Potencial de safra recorde no Brasil pressiona preço

Segundo o Itaú BBA, o padrão de chuvas observado desde o fim de dezembro deve continuar elevando o potencial produtivo da safra brasileira de soja 2025/2026 e reforçar um cenário de oferta recorde na América do Sul, movimento que tende a manter os preços pressionados no mercado internacional e no mercado doméstico ao longo do primeiro semestre de 2026. As precipitações previstas para o final de dezembro se confirmaram nas principais regiões produtoras e chegaram em momento decisivo para o ciclo da cultura. Com isso, a umidade do solo atingiu níveis adequados, favorecendo o enchimento de grãos e garantindo a continuidade do desenvolvimento das lavouras de soja mais tardias. O clima mais favorável observado nas últimas semanas impulsionou revisões positivas nas estimativas de produção neste início de ano, mesmo após um começo de safra marcado por La Niña e irregularidade climática.

Esse cenário mais favorável tem impulsionado revisões positivas nas estimativas da cultura, com a média das projeções convergindo para 180 milhões de toneladas. O padrão de clima úmido persistiu nas primeiras semanas de janeiro, com volumes significativos de chuva em praticamente todas as regiões agrícolas do País. Algumas áreas da Região Centro-Oeste já estão dessecadas e prontas para colheita, mas o excesso de precipitação tem provocado atrasos pontuais na entrada das máquinas, especialmente em Mato Grosso, onde o ritmo dos trabalhos depende de janelas mais secas nos próximos dias. Nos principais Estados produtores, o panorama segue amplamente positivo. O Rio Grande do Sul apresenta recuperação expressiva após a regularização das chuvas, com bom desenvolvimento das lavouras, embora as precipitações de janeiro ainda sejam consideradas essenciais devido ao plantio mais tardio.

No Paraná, onde a colheita já começou, os primeiros resultados indicam alto potencial produtivo, sustentado pelo plantio antecipado e por chuvas majoritariamente regulares. Em Mato Grosso do Sul, o plantio rápido e a melhora das condições climáticas a partir de novembro favoreceram uma recuperação significativa do potencial produtivo. Mato Grosso, mesmo com irregularidade no início do ciclo, mantém ótimas perspectivas, enquanto Goiás, apesar do plantio mais tardio dos últimos cinco anos, se beneficia da normalização do clima. No Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o plantio atrasado avançou com a melhora da umidade, e as chuvas subsequentes impulsionaram o desenvolvimento das lavouras, ainda dependentes da manutenção das precipitações em janeiro. Para as próximas semanas e para fevereiro, as previsões indicam continuidade de bons volumes de chuva na maior parte das regiões produtoras, o que sustenta a avaliação positiva para o desenvolvimento das lavouras de verão (1ª safra 2025/2026). No entanto, a expectativa de chuvas intensas em Mato Grosso pode atrasar a colheita da soja e reduzir a janela ideal para o plantio do milho 2ª safra de 2026.

No cenário internacional, a combinação de uma safra recorde no Brasil com volumes elevados na Argentina e no Paraguai deve levar a uma oferta sul-americana igualmente recorde em 2025/2026, reforçando o viés baixista para as cotações. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou para cima a produção e voltou a reduzir as exportações do país, agora estimadas em cerca de 42,86 milhões de toneladas, o que elevou os estoques finais para 9,52 milhões de toneladas. A China está próxima de cumprir a promessa de compra de 12 milhões de toneladas de soja norte-americana, mas a expectativa é de redirecionamento da demanda para o Brasil a partir de fevereiro, com a entrada mais intensa da safra sul-americana no mercado. Diante desse conjunto de fatores, os preços da soja devem se manter pressionados nos mercados internacional e doméstico. Apenas movimentos do câmbio podem oferecer, eventualmente, oportunidades de preços mais remuneradores aos produtores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.