20/Jan/2026
Segundo o Itaú BBA, a expectativa de safra recorde na América do Sul tende a manter os preços da soja sob pressão nas próximas semanas, mesmo com a redução das exportações dos Estados Unidos e o avanço da demanda chinesa pelo produto brasileiro. A produção está prevista em 178 milhões de toneladas no Brasil na safra 2025/2026. Na Argentina, há um bom potencial produtivo. O plantio já ultrapassou 90% da área prevista com lavouras em condição majoritariamente excelente. A combinação de safras volumosas no Brasil, Argentina e Paraguai deve resultar em oferta sul-americana recorde em 2025/2026, reforçando o viés baixista para as cotações. Na atualização de janeiro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a projeção de produção brasileira em 3 milhões de toneladas em relação ao relatório anterior, com expectativa recorde de 178 milhões de toneladas. As exportações também foram revisadas para cima, de 112,5 milhões de toneladas em dezembro para 114 milhões de toneladas em janeiro, assim como o esmagamento, que passou de 59 para 60 milhões de toneladas.
O movimento reflete o bom desempenho da safra brasileira até o momento, apesar da La Niña e da irregularidade climática inicial. Diversas consultorias passaram a revisar suas projeções para cima, com a média estimada convergindo para 180 milhões de toneladas. A colheita já começou em Mato Grosso, alcançando 2% da área segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), com expectativa de ritmo mais intenso nas próximas semanas. Após três meses consecutivos de valorização, os preços da soja caíram 4,1% em dezembro na Bolsa de Chicago, para US$ 10,75 por bushel. Na primeira metade de janeiro, o movimento de baixa continuou, com queda adicional de 3,2%, chegando a US$ 10,40 por bushel. O recuo ocorreu em meio ao bom desenvolvimento da safra da América do Sul, favorecida pelo clima positivo no mês de dezembro. No mercado doméstico, as cotações também permaneceram pressionadas.
Em Sorriso (MT), referência no mercado físico, a soja recuou 1,6% em dezembro, para R$ 116,60 por saca de 60 Kg, e o movimento se intensificou na primeira metade de janeiro, com desvalorização de 6,7%, a R$ 108,80 por saca de 60 Kg, refletindo o comportamento baixista observado na Bolsa de Chicago. Para os Estados Unidos, o USDA elevou em 200 mil toneladas a estimativa de produção, passando a 115,99 milhões de toneladas para a safra 2025/2026. Ao mesmo tempo, o voltou a reduzir as exportações, agora projetadas em 42,86 milhões de toneladas, queda de 16,3% em relação a 2024/2025, o que levou ao aumento do estoque final norte-americano, estimado em 9,5 milhões de toneladas. No balanço global de oferta e demanda, o USDA elevou a produção mundial para 425,68 milhões de toneladas, o consumo para 423,14 milhões de toneladas e o estoque final para 124,41 milhões de toneladas. O aumento dos estoques globais adiciona pressão sobre os preços, mesmo com a demanda crescente da China pelo produto brasileiro.
As exportações brasileiras de soja atingiram 108,2 milhões de toneladas em 2025, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), estabelecendo novo recorde histórico. Somente em dezembro, o País embarcou 3,4 milhões de toneladas da oleaginosa. No acumulado de 2025, a China respondeu por 79% dos embarques brasileiros em volume, ante 73% em 2024, consolidando o apetite do gigante asiático pelo grão nacional. Na Argentina, o plantio ultrapassou 90% na semana passada, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Durante quase toda a temporada, o ritmo ficou abaixo da média, afetado pelo alto volume de chuvas em algumas áreas. Contudo, as lavouras apresentam bom potencial, com 35% em condição boa e 65% em condição excelente. No mesmo período do ano anterior, 36% estavam em condição boa e 57% em excelente. As chuvas de janeiro serão decisivas para consolidar o potencial de safra cheia na Argentina. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.