20/Jan/2026
Segundo o Itaú BBA, após o forte avanço registrado em novembro, os preços do farelo e do óleo de soja entraram em um movimento de correção nos mercados externo e doméstico, reduzindo o espaço para novas altas no curto prazo, mesmo em um cenário de oferta ainda relativamente enxuta na entressafra. A pressão da Bolsa de Chicago é o principal vetor de enfraquecimento das cotações no início de 2026. O farelo de soja acumulou quedas consecutivas após a disparada observada em novembro. Em dezembro, os preços recuaram 5,4% na Bolsa de Chicago e voltaram a cair 2% na primeira metade de janeiro, levando a cotação de US$ 319,00 por tonelada em novembro para cerca de US$ 296,00 por tonelada na parcial deste mês.
No mercado brasileiro, o comportamento foi mais irregular, com alta em dezembro em Rondonópolis (MT) e recuo de 2,4% em janeiro, para R$ 1.527,00 por tonelada. Embora a oferta ainda esteja relativamente enxuta na entressafra, especialmente após os volumes expressivos exportados nos últimos meses, as recentes quedas na Bolsa de Chicago passaram a exercer maior pressão sobre a paridade de exportação, reduzindo o espaço para novas altas no mercado interno. Esse movimento externo tem sido o principal vetor de desvalorização e a demanda segue em ritmo moderado. O óleo de soja seguiu trajetória semelhante à do farelo. Na Bolsa de Chicago, as médias mensais recuaram em dezembro e janeiro, com desvalorização de 1,2% na parcial de janeiro, para 49,00 centavos de dólar por libra-peso.
No mercado doméstico, os preços também acompanharam a tendência externa e caíram 1,3% na parcial de janeiro em Mato Grosso, para R$ 6.150,00 por tonelada. Apesar da correção recente, o cenário estrutural para os derivados da soja segue sustentado pelo aumento do esmagamento nos principais países produtores. Na atualização de janeiro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou as projeções de esmagamento tanto para os Estados Unidos quanto para o Brasil, ampliando a oferta global dos subprodutos. Ainda assim, o consumo mundial segue em expansão, o que tende a manter os estoques relativamente equilibrados. O Itaú BBA projeta que a produção global de farelo de soja deve crescer 2% na safra 2025/2026, alcançando 288 milhões de toneladas, enquanto o consumo deve avançar 4%, para 284 milhões de toneladas.
Com isso, o estoque final mundial é estimado em 19 milhões de toneladas, praticamente estável em relação ao ciclo anterior. No caso do óleo de soja, a produção global deve crescer para 71,1 milhões de toneladas, com destaque para o avanço das produções na China, Brasil e Estados Unidos. O consumo deve crescer 3%, para 70,3 milhões de toneladas, impulsionado pelo uso crescente em biocombustíveis. Com isso, o estoque final mundial tende a recuar 5%, para 6 milhões de toneladas. As exportações brasileiras de farelo de soja atingiram 24 milhões de toneladas em 2025, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), crescimento de 3,6% em relação a 2024.
O desempenho reforça a posição do Brasil como principal fornecedor global do derivado, cenário que tende a ser fortalecido pelo acordo Mercosul-União Europeia. O acordo Mercosul-UE tende a ampliar o acesso do farelo brasileiro ao mercado europeu, fortalecendo a demanda por produtos industrializados do complexo soja com a redução de barreiras e tarifas comerciais. Isso aumenta a competitividade do Brasil ao oferecer preços mais atrativos que os da produção europeia. A maior previsibilidade e abertura do mercado europeu favorecem a industrialização interna e podem elevar os preços do farelo no médio prazo, embora requisitos ambientais e possíveis limitações por cotas possam moderar esses ganhos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.