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16/Jan/2026

Preços da soja são pressionados pela ampla oferta

Segundo o Rally da Safra, a combinação de oferta global abundante e ritmo de comercialização mais lento no Brasil mantém a pressão sobre os preços da soja e limita o espaço para recuperação no curto prazo. O cenário é marcado por produção elevada nos principais países produtores e por um volume expressivo ainda disponível para venda no mercado doméstico. O Brasil está colocando mais soja no mercado, mas não é só o Brasil. A safra argentina está se desenhando muito bem, a do Paraguai também, e a safra norte-americana foi muito boa. Do lado da oferta, isso é pressão negativa para preço. No Brasil, o fator central é o atraso nas vendas. Cerca de 33% da safra 2025/2026 foi comercializada até agora, percentual inferior ao observado no mesmo período do ciclo anterior.

Em termos absolutos, isso deixa aproximadamente 120 milhões de toneladas ainda por negociar, acima das cerca de 105 milhões de toneladas disponíveis nesta época do ano passado. Esse volume reduz a chance de reação dos preços. Em volumes absolutos, é um recorde de soja disponível nesse início de safra. Isso traz pressão sobre a Bolsa de Chicago e sobre o preço no Brasil. Há poucos vetores de sustentação no mercado internacional no radar. Um dos poucos fatores seria a China comprar mais soja norte-americana do que o volume que já está praticamente contratado. Esse movimento é pouco provável. A China está bem abastecida até março ou abril e tem flexibilidade para postergar novas aquisições. No mercado interno, a avaliação é de que o câmbio pode gerar movimentos pontuais, mas associados à volatilidade, não a uma tendência de alta.

O que pode acontecer é volatilidade, especialmente por ser um ano eleitoral. Do lado da demanda, o consumo doméstico segue crescendo e atua como suporte estrutural. O esmagamento de soja no Brasil atingiu 58,5 milhões de toneladas no último ciclo e deve avançar para cerca de 60 milhões de toneladas em 2025/2026, impulsionado principalmente pelo biodiesel e pelo setor de proteínas animais. Ainda assim, a entrada do B16 deve ocorrer mais tarde do que o inicialmente esperado, o que tende a moderar o ritmo de crescimento. Mesmo com a demanda interna em expansão, a avaliação é de que o volume elevado de oferta continuará sendo o principal vetor do mercado. Soja não vai faltar. O desafio é absorver esse volume sem pressionar ainda mais os preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.