16/Jan/2026
Segundo o Rally da Safra, o ritmo de expansão da área de soja no Brasil deve continuar em desaceleração nos próximos anos, pressionado por margens baixas, preços deprimidos e um cenário global de sobreoferta da oleaginosa. Do ponto de vista estritamente econômico o cenário atual indicaria até crescimento zero de área. Se olhar quanto custa abrir terra, quanto custa produzir soja e o que ela está deixando de margem, o racional seria não crescer. Não deveria estar tendo expansão neste momento. Apesar disso, a área de soja no País deve alcançar 48,8 milhões de hectares na safra 2025/2026, incremento próximo de 1 milhão de hectares. O avanço, no entanto, ocorre em ritmo bem inferior à média da última década, quando o crescimento anual girava em torno de 1,7 milhão de hectares. A continuidade da expansão está associada a decisões de longo prazo e à valorização da terra, especialmente em áreas de conversão de pastagens.
Tem gente expandindo com outra lógica, olhando menos o curto prazo e mais o valor da terra ao longo do tempo. O mundo produz mais soja do que consome há quatro anos consecutivos, situação que pressiona os preços internacionais. Com preços baixos e oferta sobrando, o normal seria reduzir área para buscar reequilíbrio. Mas isso não está acontecendo de forma imediata. A tendência é de perda gradual de fôlego da expansão. Deve haver uma desaceleração contínua daqui para frente. Com margens apertadas, o estímulo para crescer vai ficando menor ano após ano, a não ser que haja uma mudança relevante nos preços. O Brasil tem subvertido a lógica tradicional do mercado agrícola. Existe a máxima de que preço alto estimula área e preço baixo desestimula. No Brasil, mesmo com preços baixos, a área continua crescendo, ainda que mais devagar.
O algodão é um exemplo de cultura que já responde de forma mais direta ao cenário econômico, com redução de área. O algodão começou a andar para trás por causa da rentabilidade. Na soja, isso ainda não aconteceu. A expansão atual da soja ocorre majoritariamente sobre áreas de pastagem, e não por substituição de culturas. Em Mato Grosso, maior produtor nacional, a abertura de novas áreas é cada vez mais limitada por licenças ambientais. Em estados como Goiás e na região do Mapito (Maranhão, Piauí e Tocantins), ainda há espaço maior para conversão. A diferença do Brasil em relação a países como Estados Unidos e Argentina está na possibilidade de duas safras no mesmo ano. Salvo exceções na Região Sul, o produtor não decide entre soja e milho. Ele decide se converte mais área ou não. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.