09/Jan/2026
A China retomou compras de soja dos Estados Unidos mesmo com o custo do grão norte-americano nos portos chineses entre US$ 0,75 e US$ 1,00 por bushel acima do preço da soja brasileira, em um movimento considerado atípico para o período. A estatal chinesa Sinograin adquiriu dez cargas de soja norte-americana no início desta semana, volume estimado em cerca de 600 mil toneladas. As compras ajudaram a sustentar os preços futuros na Bolsa de Chicago. Na quarta-feira (07/01), o contrato março da soja avançou 10,75 centavos (1,02%), para US$ 10,67 por bushel. No mesmo dia, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou uma venda relâmpago (flash sale) de soja para a China. O movimento chama atenção porque não se sustenta pelos fundamentos de preço. A soja norte-americana não está competitiva no mercado de exportação neste momento. A soja brasileira está mais barata.
Mesmo que a China tenha fixado preços ou comprado contratos futuros meses atrás, a alternativa brasileira ainda seria mais vantajosa no mercado físico atual. Destaque para o caráter contra-sazonal das aquisições. Não é a época do ano em que a China costuma comprar grandes volumes de soja dos Estados Unidos. Normalmente, esse é o período em que o programa de compras desacelera de forma significativa. A janela principal de embarques norte-americanos para a Ásia já está praticamente encerrada, enquanto a colheita da safra brasileira 2025/2026 começa a ganhar ritmo e deve intensificar o fluxo aos portos a partir de fevereiro. Parte dessas compras pode ser interpretada como gesto de boa vontade no contexto da trégua comercial recente. Pelos entendimentos anunciados, a China se comprometeu a adquirir cerca de 12 milhões de toneladas de soja norte-americana nesta temporada e aproximadamente 25 milhões de toneladas por ano nas três temporadas seguintes.
Há, no entanto, especulação no mercado sobre possíveis cancelamentos, caso o diferencial de preços permaneça desfavorável à origem norte-americana. Do ponto de vista técnico, o mercado apresentou leve melhora, embora ainda sem sinal claro de reversão. Os preços romperam suportes no dia 2 de janeiro, acionaram ordens de venda e, na sequência, se recuperaram. Se esse movimento de recuperação continuar, a soja pode trabalhar entre US$ 10,80 e US$ 10,82 nas próximas sessões. Esse foi o pico observado no fim de dezembro e um ponto-chave no gráfico semanal. No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a safra de soja 2025/2026 em 177,1 milhões de toneladas, volume que deve manter o País como principal fornecedor global da oleaginosa. O plantio alcançou 98,2% da área até a primeira semana de janeiro, com início da colheita em Mato Grosso (0,1%) e no Paraná (1%). Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.