09/Jan/2026
Segundo a StoneX, a política de biocombustíveis passou a ocupar posição central na estratégia dos Estados Unidos para sustentar a demanda por soja em um ambiente de perda de competitividade no comércio global e avanço estrutural do Brasil como principal fornecedor. Os Estados Unidos deixaram de ser o produtor de menor custo no mercado internacional de grãos, o que reduziu a capacidade do país de competir via exportações. Os Estados Unidos não são mais o produtor de menor custo do mundo da maioria das commodities. A vantagem brasileira de produzir duas ou até três safras por ano na mesma área, combinada à valorização do dólar frente ao Real e a outras moedas, deslocou a formação de preços para fora do eixo norte-americano.
Nesse cenário, o programa de biocombustíveis surge como alternativa para absorver internamente parte da produção. O programa faz parte de uma tentativa de adicionar valor às commodities, para que os Estados Unidos dependam menos das exportações de grãos a granel e mais do consumo doméstico e da exportação de produtos com valor agregado. A mudança representa uma inflexão explícita na política agrícola. Isso é o governo escolhendo “vencedores e perdedores”. É o governo subsidiando o sistema de produção de alimentos. Enquanto no passado o foco era sustentar exportações, agora a prioridade é garantir um mercado interno capaz de manter a estrutura produtiva. Todos os países fazem isso de uma forma ou de outra.
O potencial do programa é relevante, mas depende da disposição do governo em manter os subsídios. O potencial é muito significativo, não apenas para a demanda doméstica por combustível, mas também para a demanda global. Diversos países avançam de forma mais acelerada em políticas de biocombustíveis do que os Estados Unidos. Apesar disso, o biodiesel não substitui, no curto prazo, a demanda externa, especialmente da China. O acordo comercial firmado com a China em outubro funciona como um mecanismo de transição. É basicamente um acordo para comprar commodities agrícolas norte-americanas mais caras, especialmente soja, em troca de acesso ao mercado consumidor dos Estados Unidos. O cumprimento do acordo tende a ocorrer inicialmente, mas perde força ao longo do tempo.
O objetivo é ganhar dois a três anos para expandir a infraestrutura de biocombustíveis e criar uma nova base de consumo para a soja norte-americana. No mercado global de óleos vegetais, há fortalecimento estrutural da demanda. A Indonésia avança para uma mistura de 50% de biodiesel à base de óleo de palma, e o Brasil, que amplia o mandato de biodiesel e discute E30 no etanol. Está aumentando a demanda por produtos oleaginosos, que também são alimentos, e isso fortalece a demanda globalmente. A soja seguirá como cultura relevante nos Estados Unidos por razões agronômicas. No Brasil, a soja lidera. Nos Estados Unidos, o milho é dominante, e a soja é rotacional. Isso torna essencial encontrar uma fonte de demanda para soja. Hoje, essa fonte é o biocombustível. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.