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08/Jan/2026

China: redução do rebanho suíno impacta na soja

A redução do rebanho de matrizes suínas da China pode retirar do mercado o equivalente a cerca de 15 milhões de toneladas de soja por ano, ao diminuir de forma permanente a demanda por farelo destinado à alimentação animal. O número de matrizes na China caiu de aproximadamente 44 milhões em 2022 para cerca de 40 milhões atualmente e deve ser reduzido em mais 1 milhão a 3 milhões nos próximos anos. A retração acumulada chegará a cerca de 6 milhões de matrizes, volume equivalente a todo o plantel reprodutor dos Estados Unidos. O movimento ocorre em contexto de declínio populacional e de esgotamento do ciclo de expansão do consumo de proteína animal observado no país nas últimas décadas.

Cada matriz chinesa gera em média 22 leitões por ano, ante cerca de 28 leitões nos Estados Unidos. Com a retirada de 6 milhões de matrizes, deixam de nascer aproximadamente 132 milhões de suínos. Considerando consumo médio de cerca de 90 quilos de farelo por animal no ciclo de engorda, a redução representa perda potencial próxima de 12 milhões de toneladas de farelo, o que equivale a cerca de 15 milhões de toneladas de soja em base grão. O ponto central é que suínos que deixam de existir não consomem ração, e isso se reflete diretamente na demanda por farelo. Cerca de 80% do peso do grão de soja processado resulta em farelo, enquanto os 20% restantes correspondem ao óleo, o que torna a suinocultura um dos principais determinantes do consumo global do complexo soja.

A mudança não está relacionada a tarifas ou acordos, mas a fundamentos de oferta e consumo. Historicamente, metade da produção norte-americana de soja é exportada, e metade desse volume tem a China como destino, o que significa que 25% de toda a safra dos Estados Unidos acaba vinculada à alimentação de suínos no país asiático. Na safra 2025, os produtores norte-americanos plantaram cerca de 33,6 milhões de hectares e colheram aproximadamente 115,5 milhões de toneladas. Os Estados Unidos seguiram plantando mais de 33 milhões de hectares esperando que as exportações resolvam o problema. Isso é uma falsa esperança. A China já passou pela fase de rápida elevação do consumo per capita de carne suína e não deve repetir esse movimento nas próximas décadas, o que limita o potencial de crescimento da demanda por farelo.

O cenário se torna mais desafiador para os Estados Unidos porque o Brasil segue ampliando produção, logística e presença comercial no mercado chinês. A expectativa de que um novo acordo comercial restaure a antiga dinâmica das exportações norte-americanas ignora a redução estrutural da demanda ligada à suinocultura. A China percebeu que não precisa expandir sua cadeia de suínos. Na verdade, está ajustando o tamanho dessa indústria. Diante desse quadro, o setor agrícola norte-americano precisará repensar a soja como cultura orientada ao crescimento via exportação. Talvez seja necessário discutir ajustes de área no futuro, diante de uma demanda que não volta ao patamar do passado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.