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08/Jan/2026

China mantém compras de soja norte-americana

Segundo a StoneX, a apropriação, pelos Estados Unidos, da produção de petróleo da Venezuela adicionou um novo componente de risco ao mercado internacional de soja ao levantar dúvidas sobre a reação da China e seus efeitos sobre o fluxo comercial entre os dois países. O impacto direto sobre os grãos é limitado, mas o episódio ocorre em um momento sensível, com a China tendo comprado cerca de 10,4 milhões de toneladas de soja norte-americana nesta temporada. As exportações venezuelanas representam aproximadamente 4,5% das importações chinesas de petróleo bruto transportadas por via marítima. Embora não seja uma fatia elevada, o tema pode servir como instrumento de pressão política. Não é tanto volume, mas é um incômodo, e a China poderia usar isso para limitar, atrasar ou até cancelar compras de soja dos Estados Unidos.

Outro risco citado é a possibilidade de o país asiático associar o episódio a disputas geopolíticas mais amplas, como Taiwan, o que poderia levar o presidente norte-americano, Donald Trump, a retomar tarifas comerciais e afetar diretamente o comércio agrícola. Apesar desse aumento da incerteza, a China continua entregando parte relevante do compromisso de compras. O volume já adquirido se aproxima do objetivo inicial de 12 milhões de toneladas, cujo prazo foi estendido informalmente de dezembro para a primavera do Hemisfério Norte. Esse fluxo contribuiu para sustentar o mercado na Bolsa de Chicago e levou os fundos especulativos a manterem posição levemente comprada em soja, mesmo com as exportações norte-americanas ainda rodando cerca de 17% abaixo da projeção anual do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), melhora frente ao atraso de 19% observado semanas atrás. O principal ponto de atenção para as próximas semanas está no mercado doméstico chinês.

Desde 19 de dezembro, a estatal Sinograin não realiza novos leilões de soja para consumo interno, após duas operações voltadas a liberar estoques antigos. Sem essas vendas, a capacidade de novas compras externas fica restrita. Ainda assim, a China importou cerca de 600 mil toneladas de soja norte-americana na semana passada. Para que as compras continuem, é preciso abrir espaço nos estoques. Os leilões são essenciais. Na América do Sul, o quadro de oferta é confortável e continua pesando sobre os preços. No Brasil, as estimativas de produção avançaram levemente e agora variam entre 177 milhões e 180,5 milhões de toneladas. A colheita já começou em Estados, como Paraná e Mato Grosso, com produtividade inicial elevada, embora haja preocupação pontual com a possibilidade de estiagem em janeiro. Na Argentina, a projeção permanece entre 47 milhões e 48,5 milhões de toneladas, sem mudanças relevantes. Fatores regulatórios entram no radar do mercado.

A União Europeia adiou para dezembro de 2026 a aplicação da regulamentação antidesmatamento, o que reduz a pressão imediata sobre exportadores. Em paralelo, comerciantes internacionais no Brasil avaliam a permanência na Moratória da Soja, acordo que veda a comercialização de grãos cultivados em áreas desmatadas após 2008. Esse debate deve ganhar importância ao longo do ano, especialmente com a EUDR no horizonte. Por fim, foi destacada a importância do próximo relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para a próxima segunda-feira (12/01). Com a normalização dos trabalhos após a paralisação do governo norte-americano, o mercado espera dados mais completos, especialmente sobre produtividade de soja e milho nos Estados Unidos. Há possibilidade de revisão para baixo nos rendimentos, e isso pode influenciar o humor do mercado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.