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08/Jan/2026

EUA: competitividade do Brasil preocupa produtores

Segundo pesquisa divulgada na terça-feira (06/01) pela Universidade Purdue, a competitividade do Brasil nas exportações de soja passou a ocupar lugar central nas preocupações do produtor norte-americano, com 84% dos agricultores dos Estados Unidos afirmando estar preocupados ou muito preocupados com a concorrência brasileira no mercado global. Dentro desse grupo, 45% disseram estar muito preocupados. O levantamento foi realizado entre 1º e 5 de dezembro com 400 produtores de todo o país que faturam mais de US$ 500 mil por ano. A percepção negativa sobre as vendas externas de soja se intensificou em dezembro. O percentual de agricultores que espera queda das exportações norte-americanas nos próximos cinco anos subiu de 8% em novembro para 13%.

Paralelamente, a fatia dos que projetam aumento das exportações caiu de 47% para 39%. Existe uma angústia clara sobre a competitividade dos Estados Unidos em relação ao Brasil. Quando questionados sobre exportações agrícolas, em geral, sem especificar produtos, o quadro muda. Apenas 5% dos entrevistados esperam queda das vendas externas do setor nos próximos cinco anos, uma das leituras mais positivas do ano. A diferença indica que a soja é vista como o principal ponto vulnerável do comércio agrícola americano diante da concorrência internacional. O avanço brasileiro não é recente. Houve um tempo em que, para importar soja em qualquer lugar do mundo, existia praticamente um único fornecedor, os Estados Unidos. Isso deixou de ser verdade há décadas.

O Brasil ampliou produção, escala e capacidade de exportação ao longo do tempo. A mudança torna o mercado mais sensível em momentos de tensão comercial. Isso preocupa mais quando surgem disputas com a China, porque hoje a China não depende dos Estados Unidos como no passado. O índice geral de confiança dos produtores norte-americanos recuou 3 pontos em dezembro, para 136 pontos. O número representa o sentimento atual em relação ao período base da pesquisa, entre outubro de 2015 e março de 2016, quando o índice ficou em 100. Acima de 100 indica confiança maior que o período base, abaixo de 100 mostra confiança menor. Embora 136 indique confiança relativamente elevada, o nível atual está 22 pontos abaixo do pico de 2025, registrado em maio, quando chegou a 158.

A queda foi provocada pelas expectativas de longo prazo, enquanto a avaliação das condições atuais permaneceu estável. O barômetro é calculado a partir de cinco perguntas mensais sobre situação financeira presente e futura, perspectivas para a economia agrícola e momento para fazer investimentos em máquinas e construções. Entre as principais preocupações para 2026, o alto custo dos insumos segue no topo da lista, citado por 45% dos entrevistados. Há um debate mais intenso sobre inflação e tarifas e à alta recente de fertilizantes, especialmente fosfatados. Este é o período em que o produtor compra insumos para a próxima safra, o que torna esses custos mais evidentes. A confiança no uso de tarifas para fortalecer a economia agrícola vem diminuindo.

Em dezembro, 54% dos produtores disseram acreditar em efeitos positivos das tarifas, abaixo dos 70% registrados em abril. O percentual de agricultores incertos sobre os impactos de longo prazo subiu para 19%, mais que o dobro do início do ano. É um sinal claro de que as pessoas estão ficando mais preocupadas. Apesar das incertezas comerciais, os produtores continuam otimistas sobre o valor das terras agrícolas. O índice de expectativa de curto prazo subiu para 117, enquanto o indicador de longo prazo, que mede a visão para cinco anos, atingiu recorde de 166. A busca por bens físicos explica o movimento. Quando há muita incerteza, as pessoas direcionam recursos para bens reais, e a terra entra nesse grupo. O índice de desempenho financeiro das fazendas subiu 2 pontos, para 94, acumulando alta desde outubro.

A melhora foi associada à recuperação parcial dos preços da soja após anúncios de compras pela China no fim de outubro, embora parte do ganho tenha sido perdida antes da pesquisa de dezembro. O índice de investimento em capital ficou praticamente estável em 58, com 60% dos produtores avaliando que não é um bom momento para grandes investimentos. A Universidade Purdue fica em West Lafayette, no centro dos Estados Unidos, em uma das principais regiões produtoras de grãos do país. A pesquisa é feita em parceria com a bolsa de derivativos CME Group desde outubro de 2015 e integra o Barômetro da Economia Agrícola, um levantamento mensal que mede o sentimento do produtor rural americano. Os participantes são selecionados para representar as principais atividades agrícolas dos Estados Unidos, como soja, milho, trigo, algodão, pecuária de corte, leite e suínos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.