07/Jan/2026
A operação dos Estados Unidos que resultou na prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, reacendeu dúvidas no mercado sobre a sustentação da trégua comercial entre Estados Unidos e China, embora sinais recentes indiquem continuidade da demanda chinesa por soja norte-americana. A remoção de Maduro do poder pode complicar a relação da China com a Venezuela no setor de petróleo e investimentos. A China foi, por anos, o principal comprador do óleo venezuelano e o maior credor do país. Em 2024, o petróleo da Venezuela respondeu por 4% das importações totais de óleo da China. Desde 2015, o país asiático concedeu mais de US$ 60 bilhões em empréstimos garantidos por petróleo ao governo venezuelano, dos quais cerca de 20% ainda estariam em aberto. A questão é que a China chegou muito perto dos Estados Unidos com sua influência. O episódio deve ser visto como tema bipartidário, já que há cerca de um ano o governo Biden ofereceu recompensa de US$ 25 milhões pela prisão do líder venezuelano.
No entanto, ainda não está claro se a ação coloca em risco as tréguas comerciais entre Estados Unidos e China. Do lado dos fundamentos, os dados mais recentes indicam movimentação nos embarques. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que 36 milhões de bushels de soja foram inspecionados para exportação na semana encerrada em 1º de janeiro, alta de 27% em relação à semana anterior, embora 24% abaixo do mesmo período do ano passado. A China respondeu por cerca de 40% desse volume. Rumores de grandes compras chinesas circularam ao longo de segunda-feira (05/01), impulsionando os preços futuros da soja, que tiveram ganhos de dois dígitos em praticamente todos os vencimentos. Nesta terça-feira (06/01), a agência Reuters informou que a estatal chinesa Sinograin adquiriu 10 cargas de soja dos Estados Unidos em novos negócios, o equivalente a cerca de 600 mil toneladas.
Quando se soma as 6,4 milhões de toneladas já confirmadas, uma semana ainda não reportada, vendas para destinos desconhecidos e essas cargas adicionais, o número provavelmente está em torno de 9 milhões de toneladas. O mercado acompanha se as compras podem se aproximar de 12 milhões de toneladas até o fim de fevereiro. Até 25 de dezembro, as vendas de soja dos Estados Unidos para a China somavam 6,4 milhões de toneladas, queda de 66% em relação ao mesmo período do ano passado, quando alcançaram 18,9 milhões de toneladas. No acumulado para todos os destinos, trata-se do pior desempenho das exportações norte-americanas de soja dos últimos dez anos. No milho, o quadro segue mais favorável. O USDA reportou vendas líquidas de 30 milhões de bushels na última semana de dezembro, com o México como principal comprador. No acumulado do ano comercial, os embarques de milho dos Estados Unidos estão 65% acima do mesmo período do ciclo anterior, enquanto o USDA projeta crescimento de apenas 12% nas exportações. O USDA pode ter de revisar esse número para cima.
Do lado da oferta, a StoneX elevou sua estimativa para a safra brasileira de soja, projetando produção recorde de 177,6 milhões de toneladas, levemente acima da previsão de dezembro, em função de condições favoráveis no mês passado e bons rendimentos no Mato Grosso. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) trabalha com o mesmo número, enquanto o USDA estima 175 milhões de toneladas. Pela projeção do USDA, a safra brasileira será 51% maior que a safra norte-americana do ano passado. Quanto aos fundos de investimento, o relatório da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) mostrou que os grandes gestores foram vendedores líquidos de 22 mil contratos de soja na semana encerrada em 30 de dezembro. Desde meados de novembro, quando atingiram o segundo maior nível de posição comprada da história, os fundos venderam 143 mil contratos de soja. Mesmo assim, permanecem comprados líquidos em 90 mil contratos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.