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06/Jan/2026

Tensão na Venezuela: impacto no mercado de grãos

Segundo a StoneX, a operação dos Estados Unidos que resultou na prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, adiciona risco geopolítico ao comércio global de grãos e pode comprometer o acordo agrícola com a China caso a tensão entre Estados Unidos e China se intensifique. A percepção é de que o presidente norte-americano, Donald Trump, não quer entrar em guerra direta com a China, mas está travando, por assim dizer, uma “guerra por procuração”, ao atingir países que são estratégicos para China. A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris, e tornou-se nos últimos anos um ponto estratégico para a China. A China foi a principal compradora do petróleo venezuelano comercializado à margem das sanções internacionais. Quem estava se beneficiando desse petróleo barato era, em grande parte, a China.

Os investimentos chineses sustentaram a economia venezuelana e criaram uma relação de endividamento que garantiu ao governo chinês acesso ao crude pesado do país. No curto prazo, o impacto sobre o mercado de petróleo tende a ser limitado. O petróleo provavelmente não muda muito no curto prazo, e é por isso que o mercado já precificou boa parte desse risco. No horizonte mais longo, uma transição política estável e reformas econômicas poderiam destravar potencial relevante de produção, mas esse processo levaria de dois a três anos ou mais. Do ponto de vista agrícola, a Venezuela importa milho, soja, trigo, óleo e farelo de soja dos Estados Unidos, mas esse fluxo não representa hoje um fator relevante para os mercados globais. Uma economia mais saudável poderia ampliar essas importações no futuro, mas isso não é um driver de mercado neste momento.

O principal ponto de atenção está na reação indireta da China. Os investimentos chineses em infraestrutura logística na América do Sul, como o porto recém-inaugurado no Peru e os planos de uma ferrovia ligando o Pacífico ao território brasileiro. Isso permitiria escoar as commodities brasileiras pela costa oeste, tornando o fluxo para a China mais eficiente. Os Estados Unidos veem esse movimento como ameaça estratégica e está aplicando uma releitura da Doutrina Monroe, agora voltada à contenção da influência chinesa nas Américas. Para o mercado de grãos, o maior risco está em uma eventual escalada envolvendo Taiwan. Tanto Trump quanto Xi Jinping têm incentivos para preservar a trégua anunciada em 30 de outubro. Xi precisa concentrar esforços na economia doméstica, enquanto Trump busca estabilidade antes das eleições de meio de mandato. Eles estão caminhando em uma linha tênue de confrontação, mas ainda sob uma trégua.

Uma aceleração do cronograma chinês sobre Taiwan só ocorreria se os Estados Unidos mantivessem presença militar prolongada na Venezuela. Nesse cenário, os efeitos sobre o comércio agrícola seriam diretos. Se houver alguma ação contra Taiwan, Trump provavelmente sentiria a necessidade de responder com medidas que impactariam o comércio, como a retomada de tarifas. Nesse caso, o acordo comercial entre Estados Unidos e China, ainda não formalizado, ficaria em risco. A China já teria comprado cerca de 9,5 milhões de toneladas de soja, aproximadamente 3 milhões acima do que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou, aproximando-se do patamar de 12 milhões de toneladas discutido nas negociações. O embarque dessa soja pode simplesmente desmoronar se houver alguma ação contra Taiwan. O episódio não deve ser lido pelo impacto imediato nos preços, mas como sinal de risco estrutural. É um risco que precisa ser respeitado daqui para frente. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.