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06/Jan/2026

Biodiesel: expectativa por B16 sustenta demanda

Segundo o Santander, a expectativa de elevação da mistura obrigatória de biodiesel no diesel para 16% tem sustentado a demanda no mercado brasileiro, embora o risco de adiamento da medida continue presente. Os preços do biodiesel no Brasil acumulam alta de cerca de 12% desde julho de 2025, movimento que reflete a antecipação do mercado a um possível aumento de 1% na taxa de mistura a partir de 2026. As projeções para a mistura são construtivas do ponto de vista da demanda, mas o fator tempo segue como uma variável-chave. A indústria está se preparando para um aumento de 1,0% na mistura, para 16%, o que implicaria um crescimento adicional de 7% na demanda.

Contudo, não se pode descartar a possibilidade de a elevação não ocorrer, como aconteceu no último ciclo de revisão, em 2024. A produção de biodiesel cresceu 7% em 2025, até o fim de novembro, impulsionada não apenas pelo aumento da mistura para 15% em agosto, mas também pela redução da informalidade no setor e pela formação de estoques à espera de uma nova rodada de elevação da mistura. Esse movimento mostra que o setor vem se ajustando de forma preventiva às mudanças regulatórias. Apesar da alta nos preços do biodiesel, o impacto para o consumidor final tende a ser limitado. A estimativa é de que um aumento adicional de 1% na mistura teria efeito inferior a 1% no preço do diesel na bomba, considerando os níveis atuais de preços.

Também chama atenção a diferença entre a capacidade nominal e a capacidade prática do setor. Embora os registros da ANP indiquem potencial para operar com mistura de até 22%, a avaliação do Santander é de que, na prática, o limite atual estaria mais próximo de 18%. A capacidade nominal tende a superestimar o teto operacional, com fatores como eficiência industrial, arbitragem entre óleo de soja e biodiesel e paradas para manutenção. No curto prazo, os spreads do biodiesel continuam atrativos, apoiados pelos preços elevados em relação ao óleo de soja. Ainda assim, há riscos para as margens no quarto trimestre de 2025.

A dinâmica do mercado global de soja, com pressão sobre o farelo e excesso de óleo, além da lentidão das exportações, pode limitar os ganhos de players integrados. A economia de esmagamento cria um risco de curto prazo para as margens, especialmente no 4º trimestre de 2025. No horizonte de médio prazo, porém, o cenário tende a ser mais favorável. A normalização das exportações e a retomada da demanda chinesa podem contribuir para a redução dos prêmios no Brasil e, consequentemente, para a recuperação das margens do setor de biodiesel. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.