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05/Jan/2026

Prêmios da soja deverão seguir positivos em 2026

O Brasil deve registrar nova produção recorde de soja na safra 2025/26, enquanto a oferta global tende a recuar, especialmente nos Estados Unidos e na Argentina. Esse cenário reforça o protagonismo brasileiro no comércio internacional, com o País podendo atender cerca de 60% da demanda mundial. A recuperação dos preços internacionais e a valorização nos embarques nos portos brasileiros, no primeiro semestre de 2026, refletem o acordo comercial entre China e Estados Unidos, no qual o governo asiático compromete-se a intensificar as importações de soja norte-americana entre 2026 e 2028.

Os contratos de soja para 2026 na Bolsa de Chicago operam entre US$ 10,80 e US$ 11,20 por bushel, acima da média de US$ 10,37 registrada em 2025. A demanda chinesa por soja brasileira deve permanecer elevada, sustentando prêmios de exportação, com preços FOB no porto de Paranaguá situados entre US$ 24,00 e US$ 25,50 por saca de 60 kg para embarques de fevereiro a julho, acima dos US$ 22,00 a US$ 23,50 do mesmo período anterior.

No mercado doméstico, a rentabilidade do produtor deve melhorar em regiões importantes, com crescimento da relação receita/custo de 26% em Cascavel (PR), 31,9% em Rio Verde (GO) e 17,6% em Sorriso (MT). No Rio Grande do Sul, as margens podem permanecer negativas. A evolução da taxa de câmbio segue como fator relevante, influenciada pela redução da taxa de juros nos Estados Unidos. A competitividade argentina, com redução das retenciones sobre o grão de 26% para 24% e sobre farelo e óleo de 24,5% para 22,5%, pode limitar parcialmente a recuperação dos preços.

Em termos globais, a área de soja recua 1,9% em 2025/26, para 143,73 milhões de hectares, principalmente devido a quedas nos Estados Unidos (-6,8%) e na Argentina (-5,5%), enquanto a área no Brasil segue em expansão contínua. A produção mundial é estimada em 422,5 milhões de toneladas, volume 1,08% inferior ao da temporada anterior, com o Brasil respondendo por 175 milhões de toneladas, equivalente a 41,4% da produção global. A Argentina deve produzir 48,5 milhões de toneladas (-5,1%) e os Estados Unidos, 115,75 milhões (-2,8%).

O comércio internacional deve consolidar o Brasil como principal fornecedor global, com exportações projetadas em 112,5 milhões de toneladas (+9,1%). A Argentina deve embarcar 8,25 milhões (+4,8%) e o Paraguai 7,7 milhões (+16,7%). A América do Sul deve responder por 70% do abastecimento mundial, sendo 60,4% do Brasil. As exportações norte-americanas devem recuar 13,1%, para 44,5 milhões de toneladas, e a China deve importar 112 milhões (+3,7%), enquanto a União Europeia registra leve queda de 2,3%, com 14,3 milhões de toneladas. Os estoques globais devem reduzir-se, com a relação estoque/processamento caindo para 33,5%, o menor nível desde 2022/23.

O processamento global de soja deve alcançar recorde de 365,24 milhões de toneladas. A Argentina tende a reduzir o esmagamento para 41 milhões (-5,1%), os Estados Unidos devem processar 69,5 milhões (+4,5%) e o Brasil 59 milhões (+1,7%). O avanço do esmagamento nos EUA se deve à maior demanda doméstica (37,8 milhões de toneladas, +2,2%) e externa por farelo (17,4 milhões, +4,9%). No Brasil, as exportações de farelo devem atingir 24 milhões (+2,6%) e o consumo interno 21,3 milhões (+4,9%), com preços futuros variando entre US$ 301 e US$ 321 por tonelada curta ao longo de 2026.

O consumo global de óleo de soja para biodiesel mantém crescimento, levando a produção mundial a 70,6 milhões de toneladas. A Argentina deve liderar as exportações, com 6,15 milhões de toneladas, enquanto o Brasil exportará 1,5 milhão. No mercado doméstico, o consumo permanece elevado, com 6,4 milhões de toneladas para uso industrial e 4,05 milhões para o setor alimentício. Nos Estados Unidos, o uso para alimentação tende a recuar, ao passo que a demanda industrial atinge novo recorde histórico. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.