22/Dec/2025
Os preços do farelo de soja encerram 2025 registrando recuperação parcial das perdas acumuladas ao longo do ano. Com esse movimento, tanto as cotações domésticas quanto os prêmios de exportação retornam a patamares semelhantes aos observados no primeiro quadrimestre do ano. A valorização está relacionada sobretudo à necessidade de recomposição de estoques por parte de avicultores e suinocultores regionais. Além disso, consumidores que haviam firmado contratos na modalidade frame ao longo do ano passam a sinalizar a necessidade de complementar os volumes previamente contratados. O avanço no preço também é reforçado pela atual baixa oferta de farelo no spot nacional, tendo em vista que grande parte das indústrias processadoras já encerrou o esmagamento em 2025. Nesse contexto, no Porto de Paranaguá (PR), tradings estão aceitando prêmios mais elevados. Para embarque em janeiro/2026, as ofertas são as mais elevadas desde o início das negociações deste contrato.
Quando comparado aos contratos de primeiro vencimento, os prêmios são os mais altos desde o início de abril deste ano. Os preços domésticos do farelo de soja também operam nos patamares mais elevados desde abril na maior parte das regiões. A exceção é a região oeste do Paraná, onde as cotações estão acima dos R$ 1.900,00 por tonelada, patamar que não era observado desde fevereiro. Na média das regiões, o farelo de soja registra valorização de 1,3% nos últimos sete dias. Cabe destacar que o avanço no preço do farelo de soja é parcialmente limitado pela menor taxa de exportação na Argentina, o que tende a tornar os produtos do país vizinho mais competitivos no mercado internacional. As margens de lucro das esmagadoras brasileiras também apresentam melhora, impulsionadas pela maior participação do farelo no valor do complexo, que voltou a 57,3%, a mais elevada desde 27 de março deste ano.
Considerando-se os preços da soja, do farelo e do óleo de soja negociados no estado de São Paulo, a crush margin apresenta avanço de expressivos 42,5% nos últimos sete dias, a R$ 562,02 por tonelada, o maior valor desde 5 de maio. Assim, o retorno sobre o custo da soja subiu de 18,7% para 28,6% no mesmo período. O avanço da crush margin, porém, é limitado pela desvalorização do óleo de soja, reflexo da menor demanda interna. Grande parte dos consumidores se mostra abastecida para o médio prazo. O preço do óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) tem baixa de 1,3% nos últimos sete dias, para a média de R$ 6.542,44 por tonelada. No mercado de soja em grão, a liquidez permanece baixa. De um lado, as valorizações do farelo e do dólar frente ao Real dão sustentação às cotações. De outro, as chuvas recentes nas principais regiões produtoras aliviam as preocupações quanto ao desenvolvimento da safra 2025/2026 e devolvem um tom mais otimista ao mercado.
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até 13 de dezembro, 94,1% da área nacional havia sido semeada, abaixo dos 96,8% registrados no mesmo período do ano passado. A semeadura já foi concluída em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em Goiás, os trabalhos alcançaram 97% da área; no Rio Grande do Sul, 81%; em Santa Catarina, 86%; em Tocantins, 98%; na Bahia, 97%; no Piauí, 88%; e no Maranhão, 42%, todos abaixo dos percentuais observados em igual período de 2024, com exceção da Bahia. Na Argentina, as condições climáticas também seguem favoráveis às atividades de campo da safra 2025/2026, com 67,3% da área semeada até 17 de dezembro, conforme dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, permanece estável, a R$ 142,51 por saca de 60 Kg.
A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra leve alta de 0,3% nos últimos sete dias, a R$ 136,24 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os preços registram recuo de 1% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,8% no mercado de lotes (negociação entre empresas). A valorização do dólar frente a uma cesta de moedas, que reduz a competitividade das commodities norte-americanas, pressiona os futuros do complexo soja. Na Bolsa de Chicago, o contrato Janeiro/2026 da soja registra recuo de 3,8% nos últimos sete dias, a US$ 10,52 por bushel. Entre os derivados, o contrato de primeiro vencimento do óleo de soja apresenta recuo de 5,3% no mesmo período, para US$ 1.060,63 por tonelada, enquanto o farelo de soja acumula queda de 1,2% nos últimos sete dias, para US$ 328,93 por tonelada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.