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24/Nov/2025

EUA: comportamento dos mercados de óleo/farelo

Segundo o Rabobank, as políticas de biocombustíveis dos Estados Unidos devem continuar a definir o comportamento dos mercados de óleo e farelo de soja na Bolsa de Chicago ao longo de 2026. Enquanto o óleo responde de forma mais direta às decisões regulatórias do governo norte-americano, o farelo enfrenta riscos de acúmulo de estoques que tendem a limitar as cotações. Em junho, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) publicou os mandatos de mistura propostos para 2026 e 2027 e sugeriu ajustes no sistema de créditos renováveis (RIN) para penalizar matérias-primas importadas. O anúncio levou o contrato dezembro de 2025 do óleo de soja na Bolsa de Chicago ao maior nível desde 2023, com duas sessões seguidas de limite de alta. As propostas, porém, ainda não tinham confirmação final no momento da elaboração do relatório, o que devolveu parte dos ganhos. No cenário base, o Rabobank antecipa a confirmação das propostas de meados de junho da EPA integralmente antes do final de 2025.

O fechamento temporário do governo norte-americano e a indefinição sobre a realocação dos créditos RIN podem empurrar a decisão para 2026, embora o mercado não espere cortes nos volumes obrigatórios, já que a EPA e outros atores relevantes não deram indicação clara de que os volumes serão reduzidos. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que o uso industrial de óleo de soja crescerá mais de 25% em 2025/2026 e responderá por mais da metade do consumo total, superando pela primeira vez o uso alimentício. Isso marcaria a continuação de uma tendência de duas décadas, mas também representaria um marco importante para os fundamentos de preços. Políticas de biocombustíveis fora dos Estados Unidos devem sustentar o complexo. No Brasil, o mandato de biodiesel está programado para subir de 15% para 16% em março de 2026, ainda que não haja total segurança sobre sua implementação. Na Indonésia, o B40 deve ampliar a absorção de óleo de palma, contribuindo para o déficit global da commodity e sustentando os preços dos óleos vegetais.

Com estoques mundiais de óleo de soja e de óleos vegetais projetados para cair em 2025/2026, um choque negativo de produção poderia elevar os preços no curto prazo. No farelo, a pressão observada nos últimos meses deve se prolongar até 2026. No fim de julho, os futuros de primeiro vencimento caíram ao nível mais baixo desde 2016, ao mesmo tempo em que fundos construíram posição líquida vendida recorde. A recuperação parcial vista em outubro, com alta de quase 18% no contrato dezembro de 2025, não altera a avaliação estrutural do banco. O crescimento do esmagamento voltado ao óleo para biocombustíveis deslocou a demanda de farelo para segundo plano dentro da indústria norte-americana, aumentando o risco de excedentes. A demanda de óleo impulsionada por biocombustíveis substituiu a demanda de farelo impulsionada pela alimentação animal como motor do setor de esmagamento dos Estados Unidos, colocando maior pressão no mercado de farelo para absorver volumes adicionais ou enfrentar inventários domésticos inchados.

As exportações foram o principal fator que conteve o aumento de estoques em 2024/2025, quando as vendas externas dos Estados Unidos cresceram quase 13% e atingiram 16,4 milhões de toneladas, recorde histórico. Para 2025/2026, porém, o USDA projeta desaceleração da demanda global, com alta de apenas 1,6%, bem abaixo do crescimento superior a 10% observado nas duas temporadas anteriores. Dados os níveis de preços atuais e tendências positivas no consumo global, a demanda de importação internacional tem algum espaço para superar o desempenho, fornecendo a alta para o nosso cenário base. Com os Estados Unidos buscando ampliar participação fora das Américas, especialmente em mercados sensíveis a preço no Sudeste Asiático, a competitividade com Argentina e Brasil seguirá sendo determinante. A eventual entrada em vigor das regras da União Europeia contra o desmatamento (EUDR), se não houver novo adiamento, pode favorecer os Estados Unidos, classificados como país de menor risco em comparação com os demais exportadores sul-americanos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.