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12/Nov/2025

China compra soja do Brasil e segue ignorando EUA

Segundo a AgResource, a soja recuou nesta terça-feira (11/11) na Bolsa de Chicago, pressionada pela crescente desconfiança em relação ao acordo comercial entre Estados Unidos e China. Doze dias após o anúncio do pacto entre Donald Trump e Xi Jinping, as tradings chinesas continuam priorizando compras no Brasil. Na segunda-feira (10/11), a China adquiriu novos lotes de soja brasileira justamente quando os contratos na Bolsa de Chicago subiam US$ 0,13 por bushel. Há dúvidas se a China realmente vai comprar dos Estados Unidos. A movimentação chinesa tem pressionado diretamente as cotações norte-americanas. Enquanto o mercado nos Estados Unidos subia, os prêmios brasileiros caíram. Isso deu aos exportadores do Brasil mais espaço para vender. O resultado é simples: a origem mais barata acaba vencendo, independentemente de gestos políticos. A dúvida agora pesa sobre quem aposta em novas altas. Há algumas semanas, cabia aos baixistas provarem se haveria acordo.

Agora, depois de uma alta de mais de US$ 1,00 por bushel e do aumento de 70 mil contratos na Bolsa de Chicago, a questão é se a China vai comprar soja norte-americana em volume que justifique esse movimento. Ainda há incertezas, já que a China mantém uma interpretação distinta sobre o que foi acertado no acordo entre Trump e Xi. O relatório mensal de oferta e demanda (Wasde) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para esta sexta-feira (14/11), deve trazer mais clareza. A estimativa média do mercado é de produtividade de 3,60 toneladas por hectare para a soja norte-americana. Mais importante que o relatório é a reabertura do governo, para que se tenha dados confiáveis. São seis semanas negociando “no escuro”. O governo federal norte-americano está paralisado há 41 dias. A competitividade brasileira explica a preferência chinesa. Nas últimas semanas, a China comprou entre 20 e 25 navios de soja brasileira para embarque em dezembro.

Para março a maio, a soja do Brasil está entre US$ 1,20 e US$ 1,30 por bushel mais barata que a norte-americana. A soja brasileira é simplesmente muito barata. Há também a questão tarifária. A China mantém tarifa extra de 10% sobre a soja norte-americana, além da tarifa básica de 3% cobrada igualmente de Brasil e Estados Unidos. O resultado é uma alíquota efetiva de 13% sobre o produto dos Estados Unidos, cerca de US$ 44,00 por tonelada a mais no custo final. Ninguém, exceto Cofco ou Sinograin, vai comprar soja dos Estados Unidos. Um esmagador privado chinês não fará isso. Sobre o clima na América do Sul, não há problemas. No Brasil, alguns bolsões de seca apareceram em reportagens, mas não há vê riscos reais. Não precisa de chuvas acima do normal no Brasil para produzir safras grandes. Onde choveu foi justamente na área mais concentrada de soja (Mato Grosso). Entre 1º e 10 de novembro, houve chuvas expressivas nas principais regiões produtoras do Brasil. As áreas mais secas em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul não são grandes produtoras.

A previsão para 1º a 25 de novembro mostra volumes normais ou acima. Vai chover entre 180 mm e 230 mm em dezembro e janeiro. O tamanho da safra brasileira é o que importa daqui para frente. Esta é a época mais chuvosa do ano no Brasil. Mesmo que receba 70% ou 75% da chuva normal, ainda é suficiente. As lavouras continuam crescendo porque é muita água em pouco tempo. Se a safra 2025/2026 vier um pouco maior, o excedente brasileiro sobre as necessidades chinesas pode chegar a 6 a 8 milhões de toneladas. A AgResource avalia que a safra brasileira 2024/2025 pode ter sido subestimada em 4 a 6 milhões de toneladas. O Brasil exportou 1,5 milhão de toneladas na última semana, volume alto para esta época. A safra tem que ser bem maior se o Brasil ainda está exportando. Com clima bom, a safra atual pode chegar a 180 milhões de toneladas ou mais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.