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10/Nov/2025

China compra soja do Brasil em detrimento dos EUA

Segundo a AgResource, a China comprou cerca de 1,2 milhão de toneladas de soja do Brasil na semana passada, quando deveria estar adquirindo o produto norte-americano após o acordo comercial anunciado entre China e Estados Unidos. O episódio reforça que a China compra o que precisa pelo menor preço do mundo, independentemente de compromissos políticos. A semana passada deveria ter sido marcada por importantes compras chinesas de soja norte-americana. Mas, a China comprou soja do Brasil. A soja brasileira está US$ 0,50 por bushel mais barata que a norte-americana para embarques em janeiro. A China está cobrindo janeiro US$ 0,50 por bushel abaixo da cotação dos Estados Unidos. A tarifa chinesa de 13% sobre a soja norte-americana, contra 3% para o produto brasileiro, dá vantagem ao Brasil. A China não vai abrir mão de US$ 0,50 por bushel se o Brasil está vendendo mais barato.

A janela para os Estados Unidos exportarem soja antes do início da colheita brasileira, prevista para fevereiro, está ficando estreita. Talvez de meados de dezembro até o fim de janeiro. Dados já mostram que a China comprou cerca de 2 milhões de toneladas de soja para janeiro do Brasil. A oportunidade para os Estados Unidos pode ser de apenas 4 a 6 milhões de toneladas. A incerteza jurídica sobre a validade das tarifas impostas pelo governo Donald Trump por meio da Lei Internacional de Poderes Econômicos de Emergência (IEPA) reduz o poder de pressão norte-americano nas negociações comerciais. A Suprema Corte dos Estados Unidos está analisando a legalidade do uso da lei para fins tarifários. Se as tarifas do IEPA forem ilegais, aquele ‘trunfo’ comercial sai das mãos de Trump. As alternativas disponíveis para o governo norte-americano ficarão mais limitadas.

A seção 232, estabelecida em 1962, permite tarifas por ameaça à segurança nacional, mas o Departamento de Comércio precisa completar uma investigação em até 270 dias. Não é como se Trump pudesse simplesmente assinar e colocar uma nova tarifa. É um período longo. A seção 301, usada hoje contra a China, exige comprovação de dano à economia norte-americana e investigação da Comissão de Comércio Internacional (ITC), com limite de 50% de tarifa e redução gradual após o primeiro ano. A seção 338 também requer investigação da ITC e tem teto de 50%. A seção 122, criada após os acordos de Bretton Woods em 1974 para problemas de balanço de pagamentos, tem limite de 15% e duração de 120 dias, com necessidade de extensão pelo Congresso. Todas essas alternativas exigem investigação e são complicadas para o governo Trump, são complicadas. Por isso a questão sobre se o IEPA é legal é tão relevante para o governo. O anúncio da corte pode vir a qualquer dia ou provavelmente antes do fim do ano, embora algumas pessoas avaliem que pode se estender até o início de 2026.

A China inclui em praticamente todos os seus contratos uma cláusula de condições de mercado que permite trocar de fornecedor sempre que outro país oferece preço menor. Essa cláusula estava incluída no acordo da 'Fase Um'. A China está comprando soja brasileira, pois provavelmente essa cláusula está inserida no acordo que pode ou não ter sido assinado. O documento não será divulgado publicamente. Dados da Universidade Estadual de Dakota do Norte mostram que, quando o Brasil está mais barato, a China não compra dos Estados Unidos. A China compra o que precisa pelo menor preço oferecido no mundo. Apesar do movimento geopolítico e das manchetes, o mercado ainda se resume a oferta e demanda. Monitorar oferta e demanda nos Estados Unidos e na América do Sul ainda é crítico para a descoberta de preços na temporada de cultivo sul-americana. A temporada começa de fato por volta de 1º de dezembro, quando o clima passa a importar. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.