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10/Nov/2025

Imcopa: prazo judicial sobre novo leilão de fábricas

A juíza Mariana Gluszcynski Fowler Gusso, da 26ª Vara de Falências de Curitiba, determinou que a Imcopa se manifeste em cinco dias sobre a realização do novo leilão das fábricas de processamento de soja. A decisão foi assinada após o vencimento do prazo que a própria companhia havia solicitado para tratar do segundo certame. O primeiro leilão, realizado em 3 de julho, terminou sem propostas. Foram ofertadas as unidades industriais de Araucária e Cambé, no Paraná, e a marca de óleo de soja Leve, no formato de Unidades Produtivas Isoladas (UPIs). Nesse modelo, o comprador assume a operação sem herdar dívidas da empresa, o que facilita a transferência do ativo. O plano de recuperação homologado obriga a continuação da tentativa de venda, e o novo certame é considerado etapa central da reestruturação. A juíza também registrou que o Ministério Público Criminal abriu investigação preliminar sobre o envio de notificações extrajudiciais a potenciais interessados nas fábricas. O procedimento tramita na 3ª Promotoria de Justiça de Prevenção e Persecução Criminal de Curitiba.

As notificações foram enviadas pela gestora R2C e pela empresa Nuevo Plan 5, que disputam posições no processo. A discussão gira em torno de informações repassadas a possíveis compradores sobre suposta ausência de proteção legal ao comprador das UPIs. Em agosto, a 26ª Vara considerou o envio das notificações um ato capaz de desestimular a concorrência no leilão, e impôs multa de 5% do valor da causa às empresas. A penalidade foi calculada em cerca de R$ 37,8 milhões. Agora, porém, o Tribunal de Justiça do Paraná suspendeu a cobrança enquanto analisa os recursos interpostos. A multa permanece válida, mas não pode ser exigida no momento. A juíza apenas registrou o efeito suspensivo e manteve o andamento da venda. Outro ponto reafirmado foi o destino dos valores recebidos com a alienação. A magistrada reiterou que o dinheiro ficará retido em conta judicial vinculada ao processo, sob supervisão direta do Juízo. “O depósito do valor da venda das UPIs será realizado em conta judicial vinculada ao presente feito”, escreveu.

A estrutura tem a função de garantir que os pagamentos priorizem dívidas trabalhistas, fiscais e previdenciárias, conforme previsto no plano. O governo do Paraná havia pedido garantias adicionais sobre os créditos tributários, alegando risco de esvaziamento patrimonial, mas o argumento foi rejeitado. “Foi rechaçada a tese de liquidação substancial da empresa”, anotou a juíza. A decisão também tratou de pedido do BNDES, que pleiteia levantamento de valores judiciais. A magistrada entendeu que a questão deve aguardar decisão de recurso no Tribunal de Justiça antes de qualquer movimentação. “Para evitar maiores prejuízos e complicações no presente feito, determino que seja aguardada ulterior decisão (…) acerca do pagamento dos créditos do BNDES”, afirmou. A orientação evita medida irreversível enquanto instâncias superiores ainda analisam pontos do processo. Com a intimação, a Imcopa precisará apresentar proposta de calendário e condições atualizadas do leilão. O administrador judicial e os credores aguardam essa definição para retomar a etapa de divulgação e habilitação de interessados.

O plano prevê, após a venda, a demissão de cerca de 500 funcionários, com pagamento das rescisões financiado pela própria alienação, e posterior recontratação pelo novo controlador das fábricas. O caso envolve disputa societária entre acionistas ligados ao Grupo Petrópolis e ex-assessores do empresário Walter Faria, representados pela gestora R2C. A briga gira em torno do controle de cerca de R$ 3 bilhões em créditos da empresa, adquiridos por meio da offshore Crowned, registrada em Luxemburgo. Uma decisão de 2023 da Justiça Federal do Distrito Federal transferiu os créditos para empresas ligadas a Faria. A R2C questiona a operação no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília. A Imcopa, fundada em 1967, está em recuperação judicial desde 2013 e tem capacidade instalada para esmagar 1,5 milhão de toneladas de soja por ano. A unidade de Cambé é habilitada para processar soja não transgênica, produto demandado por cadeias exportadoras que atendem à produção animal orgânica. O interesse de empresas do setor não é novidade. Em 2020, a Bunge chegou a arrematar os ativos por R$ 1 bilhão, mas o negócio foi cancelado por causa das disputas societárias. Fonte: Broadcast Agro.