07/Nov/2025
Segundo a AgResource, a incerteza jurídica sobre a validade das tarifas impostas pelo governo Donald Trump pode esvaziar o poder de pressão dos Estados Unidos no acordo comercial com a China e manter o Brasil como fornecedor mais competitivo de soja. Os argumentos apresentados na Suprema Corte norte-americana na quarta-feira (05/11) indicam que as tarifas podem ser consideradas ilegais, o que mudaria completamente a dinâmica das negociações comerciais. Se as tarifas forem consideradas inválidas, muda tudo. Esses acordos são relativamente não vinculantes, e a ameaça sobre eles sempre foi Trump aplicar mais tarifas caso alguém não cumprisse. Sem isso, as táticas de negociação mudam completamente. Mercados de apostas indicam cerca de 25% de probabilidade de as tarifas seguirem como estão.
Produtores, investidores e clientes procuraram a AgResource para tentar entender o que pode acontecer. O mercado adotou uma postura de espera e observação. Ainda se sabe pouco sobre o desfecho, apenas que há riscos no ar. A volatilidade tem gerado frustração. O mercado sobe em um dia e cai no seguinte. Falta previsibilidade, e isso incomoda tanto quem aposta na alta quanto quem aposta na baixa. Se as tarifas deixarem de influenciar as compras chinesas, o mercado volta a olhar essencialmente para preço e oferta. Hoje, a disponibilidade global é elevada e isso limita o espaço dos Estados Unidos para recuperar participação. Há muito milho, muito trigo e muita soja no mundo. A soja brasileira está mais competitiva que a norte-americana nos portos, especialmente para embarques de dezembro em diante. O Brasil está oferecendo soja mais barata que os Estados Unidos ao longo dos próximos meses.
Essa diferença de preço é o que direciona a origem das compras, independentemente de acordos diplomáticos. A soja na Bolsa de Chicago está tecnicamente sobrecomprada, com indicadores apontando possível correção. Parte do rali recente decorreu da redução de posições vendidas muito grandes mantidas por fundos. No pico do fim do verão, esses investidores estavam vendidos em cerca de 133 mil contratos; hoje, ainda sustentam algo entre 60 mil e 65 mil contratos, volume que influencia a volatilidade. A estrutura do mercado global mudou nos últimos anos. Em 2020/2021, o Brasil não conseguia suprir sozinho a demanda chinesa; agora, dispõe de oferta suficiente e preços mais baixos. A China segue comprando cargas do Brasil para dezembro, e a soja brasileira permanece mais barata para janeiro e ainda mais barata a partir de fevereiro. Se a safra 2025/2026 vier um pouco maior, o excedente brasileiro sobre as necessidades chinesas pode chegar a 6 a 8 milhões de toneladas.
Essa combinação mantém a competitividade dos Estados Unidos pressionada. Os compradores tendem a escolher a origem mais barata, e hoje ela está na América do Sul. O clima na América do Sul segue favorável e os próximos números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) não devem alterar significativamente o balanço global de oferta. Por outro lado, o Citi espera que os preços futuros da soja subam na Bolsa de Chicago, mesmo que as compras chinesas do grão norte-americano não sejam retomadas rapidamente. No longo prazo, a China pode voltar a comprar soja dos Estados Unidos em grandes volumes, o que pode levar os preços a uma média de US$ 11,50 por bushel nos próximos três meses, e a US$ 12,50 por bushel nos próximos 12 meses. Novas regras para biocombustíveis também devem ajudar a sustentar os preços da soja, e tudo isso levaria a uma menor relação estoque/uso e a preços mais altos em 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.